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Vacina de mRNA: o que é, como funciona e como é produzida

Entenda o que é uma vacina de mRNA, como a tecnologia surgiu, como é produzida em larga escala, quais análises garantem sua qualidade e quais aplicações vão além da COVID-19.
Dafratec
Por: Dafratec | Em 08/09/2026 | Termo
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Vacina de mRNA: o que é, como funciona e como é produzida

A vacina de mRNA é um imunizante que entrega às células humanas uma fita de RNA mensageiro sintético contendo a instrução para produzir um antígeno, em geral uma proteína do vírus ou bactéria alvo. Em vez de aplicar o patógeno inativado ou fragmentos prontos dele, a vacina de mRNA usa a própria maquinaria celular como fábrica temporária de antígeno, treinando o sistema imunológico a reconhecer a ameaça antes do contato real. A plataforma é descrita em detalhe pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID/NIH), um dos centros que financiaram as pesquisas fundamentais da área.

O reconhecimento científico definitivo da tecnologia veio em 2023, quando Katalin Karikó e Drew Weissman receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pelas descobertas sobre modificações de bases nucleosídicas que tornaram possível o uso terapêutico do RNA mensageiro. Antes disso, os ensaios clínicos de fase 3 publicados em 2020 e 2021 no New England Journal of Medicine já haviam demonstrado alta eficácia dos primeiros imunizantes de RNA contra a COVID-19 (DOI 10.1056/NEJMoa2034577). Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde criou um hub de transferência de tecnologia de mRNA, com participação brasileira, para descentralizar a capacidade produtiva em países de renda baixa e média.

Neste glossário você vai encontrar:

  • O que é, tecnicamente, uma vacina de mRNA e o que a diferencia das plataformas clássicas;
  • Como a tecnologia surgiu, das primeiras injeções de RNA em 1990 até o Nobel de 2023;
  • O mecanismo de ação passo a passo dentro da célula;
  • O papel das nanopartículas lipídicas como sistema de entrega;
  • As etapas industriais de produção de uma vacina de mRNA;
  • Os atributos críticos de qualidade e as técnicas analíticas envolvidas;
  • Aplicações atuais e em desenvolvimento, vantagens e desafios da plataforma.

O que é uma vacina de mRNA

O RNA mensageiro é a molécula que carrega, dentro de qualquer célula viva, a informação codificada no DNA até os ribossomos, onde ocorre a síntese de proteínas. Uma vacina de mRNA aproveita esse mecanismo natural: em vez de deixar que o corpo copie um gene próprio, ela introduz uma fita sintética com a sequência de um antígeno específico.

A construção não é apenas a sequência codificante. Um mRNA vacinal contém, na ordem, um cap 5′ que sinaliza a molécula como legítima para a célula, uma região não traduzida 5′ que modula a eficiência de tradução, a sequência que codifica o antígeno, uma região não traduzida 3′ e uma cauda poli-A que aumenta a estabilidade.

A vacina de mRNA não entrega o antígeno pronto: ela entrega a instrução para fabricá-lo. Essa mudança de lógica é o que permite trocar o alvo da vacina sem trocar o processo de produção.

Diferença entre a vacina de mRNA e as plataformas tradicionais

Vacinas de vírus inativado exigem cultivo do patógeno em larga escala e etapas de inativação validadas. Vacinas de subunidade proteica dependem de expressão, purificação e caracterização de uma proteína recombinante para cada alvo. Vacinas de vetor viral requerem produção do próprio vetor em sistemas celulares.

Já a vacina de mRNA é sintetizada por via enzimática, livre de células. O processo químico e bioquímico é essencialmente o mesmo qualquer que seja o antígeno; o que muda é a sequência do molde. É por isso que a plataforma é frequentemente descrita como "plug-and-play": adaptar uma vacina de mRNA a uma nova variante ou a um novo patógeno é uma questão de reescrever a sequência, não de reconstruir a fábrica.

Como surgiu a tecnologia da vacina de mRNA

A história da vacina de mRNA é longa e antecede em décadas a pandemia de COVID-19.

O RNA mensageiro foi descrito no início dos anos 1960. A prova de conceito da entrega in vivo veio em 1990, quando pesquisadores demonstraram que RNA e DNA injetados diretamente em músculo de camundongo eram traduzidos em proteína funcional — resultado publicado na Science (DOI 10.1126/science.1690918).

O obstáculo seguinte era imunológico: o RNA exógeno era reconhecido por receptores de imunidade inata e disparava uma resposta inflamatória intensa, além de ser rapidamente degradado. A solução decisiva foi publicada em 2005 por Karikó e Weissman na revista Immunity, mostrando que a substituição de uridina por nucleosídeos modificados, como a pseudouridina, reduzia drasticamente essa ativação inflamatória (DOI 10.1016/j.immuni.2005.06.008).

Em paralelo, avançava a pesquisa em sistemas de entrega. Sem um veículo capaz de proteger o RNA e levá-lo para dentro da célula, a modificação química sozinha não bastaria. As nanopartículas lipídicas, herdeiras de décadas de pesquisa em lipossomas e em entrega de siRNA, fecharam a lacuna.

Quando o SARS-CoV-2 foi sequenciado, em janeiro de 2020, todos esses componentes já existiam. O que a pandemia fez foi comprimir cronogramas regulatórios e industriais, não inventar a tecnologia do zero.

Como funciona a vacina de mRNA no organismo

O mecanismo de ação de uma vacina de mRNA pode ser descrito em etapas encadeadas:

  • Aplicação e captação: a nanopartícula lipídica é injetada, geralmente por via intramuscular, e é internalizada por células musculares e por células apresentadoras de antígeno.
  • Escape endossomal: dentro do endossomo, a acidificação do meio ioniza os lipídeos catiônicos e desestabiliza a membrana, liberando o mRNA no citoplasma.
  • Tradução: os ribossomos leem a fita e produzem o antígeno codificado — no caso das vacinas contra COVID-19, uma versão estabilizada da proteína spike.
  • Apresentação: o antígeno é processado e exibido em moléculas de MHC, ativando linfócitos T auxiliares e citotóxicos.
  • Resposta humoral e memória: linfócitos B produzem anticorpos específicos e se estabelece memória imunológica.
  • Degradação: o mRNA sintético é degradado pelas nucleases celulares em poucos dias, sem persistir no organismo.

Um ponto recorrente em dúvidas do público merece destaque: o mRNA atua exclusivamente no citoplasma. Ele não entra no núcleo celular e não dispõe da maquinaria de transcrição reversa e integração necessária para se incorporar ao DNA.

A vacina de mRNA induz o corpo a produzir o antígeno por um período curto e autolimitado. Passada a tradução, resta a memória imunológica — não a molécula.

Nanopartículas lipídicas: o veículo da vacina de mRNA

Nenhuma vacina de mRNA comercial funciona sem um sistema de entrega. A nanopartícula lipídica (LNP, na sigla em inglês) é, hoje, o veículo padrão, e costuma reunir quatro classes de lipídeos:

  • Lipídeo ionizável: positivamente carregado em pH ácido, complexa o mRNA e viabiliza o escape endossomal;
  • Fosfolipídeo estrutural: compõe a bicamada e dá integridade à partícula;
  • Colesterol: modula fluidez e estabilidade da membrana;
  • Lipídeo PEGuilado: controla o tamanho da partícula, reduz agregação e prolonga a circulação.

A proporção entre esses componentes e as condições de mistura definem atributos que impactam diretamente a eficácia: diâmetro médio (tipicamente na faixa de dezenas a poucas centenas de nanômetros), índice de polidispersão, potencial zeta, eficiência de encapsulação e estabilidade coloidal ao longo do prazo de validade.

Por isso, boa parte do desenvolvimento de uma vacina de mRNA não está na sequência genética — que é rápida de definir — e sim na formulação e na caracterização físico-química da nanopartícula.

Como é produzida uma vacina de mRNA em escala industrial

A cadeia produtiva de uma vacina de mRNA é modular e envolve etapas bem delimitadas:

  • Construção e produção do DNA molde: o gene do antígeno é inserido em um plasmídeo, propagado por fermentação microbiana e purificado;
  • Linearização: o plasmídeo é cortado por enzimas de restrição para servir de molde definido;
  • Transcrição in vitro (IVT): uma RNA polimerase, nucleotídeos (incluindo os modificados) e tampões geram o mRNA em reator, sem células;
  • Capping e poliadenilação: feitos por via enzimática ou cotranscricional, garantem estabilidade e tradutibilidade;
  • Purificação: remoção de DNA molde, enzimas, nucleotídeos livres e RNA de fita dupla, geralmente por cromatografia;
  • Encapsulação: mistura microfluídica rápida entre a fase lipídica em etanol e a fase aquosa com mRNA, formando as nanopartículas;
  • Troca de tampão e concentração: por filtração de fluxo tangencial;
  • Formulação, envase e controle final: adição de crioprotetores, filtração esterilizante, envase asséptico e liberação por lote.

A etapa de fermentação que sustenta o início dessa cadeia — a produção do plasmídeo, e também de enzimas recombinantes usadas no processo — depende de otimização de cepa, meio e condições de cultivo. É nessa fase de desenvolvimento de bioprocessos que microbiorreatores de alto rendimento se tornam ferramentas de trabalho: eles permitem testar dezenas de condições em paralelo, com monitoramento online de biomassa, pH e oxigênio dissolvido, antes do escalonamento.

Controle de qualidade e caracterização analítica

Uma vacina de mRNA reúne atributos críticos de qualidade de duas naturezas distintas: os do ácido nucleico e os da nanopartícula que o carrega. Entre os principais:

  • Identidade e integridade da sequência de mRNA;
  • Eficiência de capping e comprimento da cauda poli-A;
  • Teor residual de DNA molde e de RNA de fita dupla;
  • Eficiência de encapsulação e teor de mRNA livre;
  • Tamanho médio, distribuição de tamanho e polidispersão das nanopartículas;
  • Potencial zeta e estabilidade coloidal;
  • Concentração de partículas por mililitro;
  • Partículas subvisíveis e contaminação particulada do ambiente de produção.

Vários desses atributos são medidos por técnicas de espalhamento de luz e por rastreamento individual de partículas. A análise de rastreamento de nanopartículas (NTA) com o ZetaView determina tamanho, concentração e potencial zeta partícula a partícula, com modo de fluorescência para discriminar subpopulações. Técnicas de DLS, ELS e SLS multiangulares, disponíveis em analisadores de nanopartículas como o ELSZneo, complementam a caracterização com distribuição de tamanho e carga de superfície em suspensão.

No upstream, o desenvolvimento e a otimização das fermentações que geram plasmídeos e enzimas podem ser acelerados com o microbiorreator BioLector XT integrado ao Biomek i5, que executa cultivos paralelos com leitura online de parâmetros críticos, e com biorreatores e biofermentadores para escalonamento de bioprocessos nas etapas piloto e industrial.

Em uma vacina de mRNA, tamanho, polidispersão e eficiência de encapsulação não são dados acessórios: são atributos ligados à entrega do antígeno e, portanto, à resposta imune.

Aplicações da vacina de mRNA

A COVID-19 foi a primeira aplicação licenciada em larga escala, mas não é a única frente. As linhas de aplicação e pesquisa incluem:

  • Doenças respiratórias virais: além do SARS-CoV-2, imunizantes de RNA para vírus sincicial respiratório e influenza avançaram em desenvolvimento clínico e regulatório;
  • Vacinas terapêuticas contra o câncer: abordagens individualizadas codificam neoantígenos identificados no tumor do próprio paciente, em estudos clínicos;
  • Doenças infecciosas de difícil alvo: HIV, zika, malária e citomegalovírus são alvos em investigação;
  • Terapias de reposição proteica: uso do RNA mensageiro para suprir proteínas ausentes ou defeituosas em doenças metabólicas e raras;
  • Saúde animal: aplicação veterinária da mesma plataforma.

É importante distinguir o que já é produto licenciado do que ainda está em fase clínica. Boa parte das aplicações oncológicas e de doenças raras permanece em investigação, com resultados preliminares. No Brasil, o acompanhamento regulatório é feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Vantagens e desafios da plataforma

As vantagens mais citadas de uma vacina de mRNA são a velocidade de redesenho diante de novas variantes, a produção livre de células e de cultivo do patógeno, a padronização do processo entre diferentes alvos e a capacidade de induzir resposta humoral e celular.

Os desafios também são concretos. A estabilidade térmica é o mais conhecido: formulações iniciais exigiram cadeia de ultrafrio, o que complica a distribuição em regiões com infraestrutura logística limitada. Há ainda dependência de insumos críticos, como nucleotídeos modificados, enzimas e lipídeos ionizáveis, concentrados em poucos fornecedores globais; a necessidade de métodos analíticos robustos para uma matriz complexa; e o custo de implantação de plantas com capacidade de mistura microfluídica em escala GMP.

Reatogenicidade local e sistêmica transitória, como dor no local da aplicação, febre e fadiga, é descrita nos estudos clínicos e no monitoramento pós-comercialização. A avaliação de segurança de qualquer imunizante cabe às agências regulatórias e às fontes oficiais de farmacovigilância.

Destaques e tendências

Três movimentos concentram boa parte da atenção atual em torno da vacina de mRNA.

O primeiro é o RNA autoamplificante (saRNA), que inclui a maquinaria de replicação do próprio RNA e permite doses menores para obter expressão equivalente. O segundo é a estabilidade: novos lipídeos, tampões e processos de liofilização buscam produtos estáveis em refrigeração convencional, o que muda a economia da distribuição. O terceiro é a descentralização produtiva, com iniciativas de transferência de tecnologia coordenadas pela OMS e a participação de instituições públicas brasileiras na formação de capacidade local.

Em paralelo, evolui a própria instrumentação analítica: sensibilidade maior em NTA, fluorescência multicanal para discriminar partículas carregadas de partículas vazias e automação de amostragem são respostas diretas à demanda de controle de qualidade dessa classe de produto.

Aviso importante

Este conteúdo é estritamente educativo e informativo. A Dafratec não produz, não fornece, não comercializa, não distribui e não possui qualquer relação com vacinas — de mRNA ou de qualquer outra plataforma. A atuação da empresa se limita ao fornecimento de instrumentação científica para caracterização de partículas e desenvolvimento de bioprocessos, equipamentos que podem ser utilizados por indústrias e centros de pesquisa em etapas de pesquisa, desenvolvimento e controle de qualidade. Nenhuma informação aqui apresentada constitui orientação médica ou recomendação de uso de qualquer imunizante. Para decisões de saúde, consulte um profissional habilitado e as fontes oficiais das autoridades sanitárias.

Perguntas frequentes sobre vacina de mRNA

O que é uma vacina de mRNA?

É uma vacina que entrega às células uma fita de RNA mensageiro sintético com a receita de um antígeno, normalmente uma proteína do patógeno. As células produzem essa proteína temporariamente e o sistema imunológico aprende a reconhecê-la, gerando anticorpos e memória celular.

A vacina de mRNA altera o DNA?

Não há evidência de integração ao genoma humano. O mRNA atua no citoplasma, não entra no núcleo e não possui a maquinaria necessária para se inserir no DNA. Ele é degradado pela própria célula em poucos dias após cumprir sua função.

Como uma vacina de mRNA é fabricada?

O processo parte de um DNA molde, geralmente plasmidial, amplificado por fermentação microbiana, seguido de transcrição in vitro, adição de cap e cauda poli-A, purificação cromatográfica, encapsulação em nanopartículas lipídicas por mistura microfluídica e, por fim, formulação e envase estéril.

Por que a vacina de mRNA precisa de nanopartículas lipídicas?

O mRNA é uma molécula grande, negativamente carregada e instável, degradada por RNases. A nanopartícula lipídica protege essa carga, viabiliza a entrada na célula e libera o material genético no citoplasma.

Quais análises garantem a qualidade de uma vacina de mRNA?

Entre os atributos críticos monitorados estão integridade e pureza do mRNA, eficiência de capping, eficiência de encapsulação, tamanho e distribuição de tamanho das nanopartículas, índice de polidispersão, potencial zeta, concentração de partículas e ausência de contaminantes particulados.

A tecnologia de mRNA serve só para doenças infecciosas?

Não. Além de vacinas contra vírus respiratórios, a plataforma vem sendo estudada em vacinas terapêuticas contra o câncer, terapias de reposição proteica e doenças raras. Parte relevante desses estudos ainda está em fase clínica.

Por que algumas vacinas de mRNA exigem ultracongelamento?

Pela instabilidade química do RNA e pela tendência de agregação das nanopartículas lipídicas. Novas formulações, lipídeos e processos de liofilização vêm sendo desenvolvidos para ampliar a estabilidade em refrigeração convencional.

Quem desenvolveu a base científica da vacina de mRNA?

A contribuição decisiva veio de Katalin Karikó e Drew Weissman, que demonstraram em 2005 que a substituição por nucleosídeos modificados reduzia a resposta inflamatória ao RNA exógeno — trabalho que rendeu a eles o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2023.

Leitura relacionada

  • Nanopartículas lipídicas
  • Análise de rastreamento de nanopartículas (NTA)
  • Vesículas extracelulares

Perguntas frequentes

É uma vacina que entrega às células uma fita de RNA mensageiro sintético com a receita de um antígeno, normalmente uma proteína do patógeno. As células produzem essa proteína temporariamente e o sistema imunológico aprende a reconhecê-la, gerando anticorpos e memória celular.
Não há evidência de integração ao genoma humano. O mRNA atua no citoplasma, não entra no núcleo e não possui a maquinaria necessária para se inserir no DNA. Ele é degradado pela própria célula em poucos dias após cumprir sua função.
O processo parte de um DNA molde (geralmente plasmidial), amplificado por fermentação microbiana, seguido de transcrição in vitro para gerar o mRNA, adição de cap e cauda poli-A, purificação cromatográfica, encapsulação em nanopartículas lipídicas por mistura microfluídica e, por fim, formulação e envase estéril.
O mRNA é uma molécula grande, negativamente carregada e altamente instável, degradada por RNases no organismo. A nanopartícula lipídica protege essa carga, permite a entrada na célula e libera o mRNA no citoplasma.
Entre os atributos críticos estão integridade e pureza do mRNA, eficiência do capping, eficiência de encapsulação, tamanho e distribuição de tamanho das nanopartículas, índice de polidispersão, potencial zeta, concentração de partículas e ausência de contaminantes particulados.
Não. Além de vacinas contra vírus respiratórios, a plataforma vem sendo estudada em vacinas terapêuticas contra o câncer, terapias de reposição proteica, imunoterapias e doenças raras. Parte desses estudos ainda está em fase clínica.
A instabilidade química do RNA e a tendência de agregação das nanopartículas lipídicas reduzem a estabilidade do produto em temperaturas mais altas. Novas formulações, lipídeos e processos de liofilização vêm sendo desenvolvidos para ampliar a estabilidade em refrigeração convencional.
A contribuição decisiva veio de Katalin Karikó e Drew Weissman, que demonstraram em 2005 que a substituição de nucleosídeos por versões modificadas reduzia a resposta inflamatória ao RNA exógeno. O trabalho rendeu a eles o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2023.

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