Capa do Artigo Captura de Carbono em Condições Úmidas: Como o DVS Carbon Advanced Provou que o MOF CALF-20 Funciona em Aplicações Reais de Pós-Combustão

Captura de Carbono em Condições Úmidas: Como o DVS Carbon Advanced Provou que o MOF CALF-20 Funciona em Aplicações Reais de Pós-Combustão

Por: Dafratec | Em 16/03/2026 | Artigo
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A captura de carbono é crítica para atingir neutralidade climática, mas os processos industriais não operam em condições secas. Os gases de escape contêm simultaneamente CO₂ e 5 a 15% de vapor de água.

Durante anos, materiais sorventes promissores, especialmente MOFs, eram testados apenas em ambiente seco, deixando uma lacuna importante. 

Aplicação em Cenário Real de Pós Combustão Industriais

Aplicação em Cenário Real de Pós Combustão Industriais

A Surface Measurement Systems divulgou uma nota de aplicação (DVS Application Note 117) onde apresenta a caracterização completa de co-sorção de CO₂ e H₂O no MOF CALF-20 sob condições pós-combustão realistas, utilizando o DVS Carbon Advanced para medições gravimétricas com controle independente de concentração de CO₂ e umidade relativa, gerando dados quantitativos essenciais para engenharia de processos.

Você encontrará nesse artigo

  • Por que o CALF-20 é considerado benchmark para captura de carbono em condições úmidas
  • Resultados completos das isotermas de CO₂ e H₂O isoladas (5–105°C)
  • Entalpia isostérica de sorção de ambos os gases e confirmação de reversibilidade
  • Características hidrofóbicas do material e comportamento de condensação capilar
  • A paisagem completa de co-sorção com superfícies 3D de uptake total, obtida com controle independente de CO₂ e umidade do DVS Carbon Advanced
  • Implicações práticas para modelagem, otimização de ciclos e dimensionamento industrial

O Problema Real: Captura de Carbono em Presença de Umidade

O Problema Real: Captura de Carbono em Presença de Umidade

A captura de carbono em ponto de origem (flue gas pós-combustão) e captura direta do ar (DAC) enfrentam o mesmo desafio: umidade.

Gases industriais e ar ambiente apresentam até 98% RH. A maioria dos MOFs tradicionais perde capacidade ou estabilidade quando exposta a vapor de água.

Estudos convencionais: medem isotermas isoladas de CO₂ ou H₂O, mas raramente avaliam a competição real entre ambos nos mesmos poros.

CALF-20: Um MOF Levemente Hidrofóbico como Benchmark

Em 2021, pesquisadores da Universidade de Calgary apresentaram o CALF-20 (Calgary Framework 20): um framework de zinco-triazol-oxalato com combinação rara de propriedades.

Ele oferece alta capacidade de CO₂ por fisisorção (entalpia moderada de 30–35 kJ/mol), boa seletividade sobre N₂ e estabilidade química extrema, inclusive sob regeneração a vapor.

Propriedades Chave do CALF-20

  • Capacidade de CO₂ > 3 mmol/g a 25°C em 15–50% CO₂
  • Estrutura totalmente coordenada (sem sítios metálicos abertos)
  • Reversibilidade em centenas de milhares de ciclos
  • Estabilidade térmica até 450°C

Desafio anterior: faltavam dados quantitativos sobre o comportamento real quando CO₂ e H₂O competem simultaneamente.

Metodologia: Medições Gravimétricas Sistemáticas com DVS Carbon Advanced

Equipamento para Medições Gravimétricas Sistemáticas com DVS Carbon Advanced da Surface Measurement Systems
O estudo utilizou o DVS Carbon Advanced para realizar medições gravimétricas com resolução sub-micrograma.

O equipamento da Surface Measurement Systems permite controle totalmente independente de concentração de CO₂ e umidade relativa em uma ampla faixa de temperatura. Essa capacidade única possibilita explorar de forma sistemática o espaço paramétrico completo relevante para condições reais de captura de carbono. 

Gera medições gravimétricas precisas e multidimensionais que revelam interações competitivas entre CO₂ e H₂O.

O DVS Carbon permite:

  • Controlar CO₂ de ppm até 100 vol% de forma independente
  • Ajustar umidade relativa de 0 a 98% RH sem interferência no CO₂
  • Manter temperatura estável ou variada entre 5 °C e 450 °C
  • Realizar perfis stepwise ou rampados de concentração e umidade
  • Registrar mudanças de massa com resolução sub-micrograma
  • Aplicar critério automático de equilíbrio (ex.: <0,002%/min por 10 min)
  • Gerar isotermas únicas, isobaras, isohumes e experimentos de co-sorção
  • Construir superfícies 3D completas de uptake total (CO₂ + H₂O)

Preparação das Amostras

Amostras de CALF-20 (10–50 mg) foram ativadas a 180°C por no mínimo 180 minutos sob purga de gás seco. Essa massa garante bom sinal, cinética rápida e ausência de gradientes térmicos.

Protocolos Experimentais

Mediram-se isotermas de 5 a 105°C com critério de equilíbrio < 0,002%/min por 10 minutos. Também foram registradas isobaras, isohumes e ramos de dessorção.

Esquema do instrumento DVS Carbon Advanced com o espaço paramétrico completo de co-sorção de CO₂ e H₂O
Figura 1: (Topo) Esquema do DVS Carbon Advanced. (Base) O espaço completo de co-sorção CO₂ e H₂O possível com a plataforma DVS Carbon.

Resultados: Sorção Isolada de CO₂ no CALF-20

As isotermas de CO₂ apresentam comportamento Tipo I (preenchimento de microporos). A 25°C, em faixas industriais (15–50% CO₂), o uptake supera 3 mmol/g.

Com o aumento da temperatura, a capacidade cai significativamente, comportamento típico de fisisorção exotérmica.

Isotermas de adsorção de CO₂ no MOF CALF-20 em várias temperaturas de 5°C a 105°C com pontos isobáricos destacados
Figura 2a: Isotermas de CO₂ no CALF-20 de 5°C a 105°C. Os quadrados cinza representam pontos isobáricos a 20 vol% CO₂, mostrando forte dependência térmica.
Superfície tridimensional de sorção de CO₂ no CALF-20 em função de temperatura e concentração
Figura 2b: Superfície 3D de sorção de CO₂ integrando todas as isotermas e isobaras.
Entalpia isostérica de sorção de CO₂ no CALF-20 calculada pela equação de Clausius-Clapeyron
Figura 2c: Entalpia isostérica de sorção de CO₂ no CALF-20 calculada pela equação de Clausius-Clapeyron em toda a faixa de carregamento.

A histerese mínima confirma reversibilidade total, essencial para ciclos industriais longos.

Resultados: Sorção Isolada de H₂O no CALF-20

As isotermas de água revelam o caráter parcialmente hidrofóbico do CALF-20.

Isotermas de sorção de vapor de água no MOF CALF-20 mostrando caráter hidrofóbico em diferentes temperaturas
Figura 2d: Isotermas de H₂O no CALF-20 revelando caráter parcialmente hidrofóbico, com uptake mínimo <10% RH e condensação capilar >20% RH.

Abaixo de 10% RH o uptake permanece mínimo em toda a faixa de temperatura. A entalpia inicial de sorção de água fica abaixo de 44 kJ/mol.

Superfície tridimensional de sorção de H₂O no CALF-20 em função de temperatura e umidade relativa
Figura 2e: Superfície 3D completa de sorção de H₂O no CALF-20 em função de temperatura e umidade relativa.
Entalpia isostérica de sorção de água no CALF-20 com valores iniciais abaixo de 44 kJ/mol Slug: entalpia-isosterica-h2o-calf-20
Figura 2f: Entalpia isostérica de sorção de H₂O no CALF-20, com valores iniciais abaixo de 44 kJ/mol (entalpia de vaporização da água a 25°C)

Resultados: Co-sorção CO₂ e H₂O — A Paisagem Completa

Realizaram-se experimentos com fundo fixo de um componente e varredura do outro, cobrindo todo o espaço paramétrico.

Fundo fixo de CO₂ + varredura de RH

Experimento de co-sorção com concentração constante de CO₂ e varredura de umidade relativa
Figura 3a: Fundo fixo de CO₂ mantido com varredura de umidade relativa (RH).

A Paisagem 3D de Co-sorção

Superfície tridimensional de uptake total (CO₂ + H₂O) no CALF-20 em função de ambas as concentrações
Figura 3b: Superfície 3D de co-sorção representando o uptake total em função de CO₂ e H₂O a temperatura fixa.
Fundo fixo de H₂O + varredura de CO₂
Experimento de co-sorção com umidade relativa constante e varredura de concentração de CO₂
Figura 3c: Fundo fixo de H₂O mantido com varredura de concentração de CO₂.

Insight principal: a superfície revela as regiões de competição entre CO₂ e H₂O, fornecendo dados quantitativos diretos para modelagem e otimização de processos.

Implicações para o Desenvolvimento de Processos de Captura de Carbono

Os resultados permitem projetar ciclos de adsorção e regeneração com dados reais de temperatura, CO₂ e umidade. As superfícies 3D servem como input direto para simuladores industriais.

Aplicabilidade da Metodologia

A abordagem gravimétrica sistemática se aplica igualmente a outros materiais sorventes: MOFs funcionalizados, zeólitas, carbons porosos e sorventes amina-graft.

Conclusão

Este estudo mapeou de forma quantitativa e sistemática o comportamento de co-sorção de CO₂ e H₂O no MOF CALF-20 sob condições reais de pós-combustão. Utilizando o DVS Carbon Advanced, foram obtidos dados precisos, incluindo isotermas, entalpias isostéricas e superfícies 3D, que fornecem base sólida para a engenharia de processos de captura de carbono eficientes e escaláveis.

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FAQ: Captura de Carbono e Co-sorção no MOF CALF-20

1. Por que a umidade é um desafio tão grande na captura de carbono? 

A maioria dos processos industriais (como pós-combustão em termelétricas e refinarias) libera gases com 5–15% de vapor de água simultaneamente ao CO₂. MOFs tradicionais perdem capacidade ou estabilidade quando expostos a umidade real (até 98% RH), pois a água compete pelos mesmos poros, o que não é capturado em testes secos convencionais.

2. O que torna o CALF-20 um material benchmark para captura de carbono em condições úmidas? 

O CALF-20 é um framework de zinco-triazol-oxalato com hidrofobicidade moderada, estrutura totalmente coordenada (sem sítios metálicos abertos), capacidade de CO₂ > 3 mmol/g a 25°C em 15–50% CO₂, entalpia moderada (30–35 kJ/mol) e estabilidade extrema (regeneração a vapor e até 450°C), permitindo operação realista em gases úmidos sem degradação significativa.

3. Como o DVS Carbon Advanced permite medir co-sorção de forma realista? 

Ele controla independentemente CO₂ (ppm a 100 vol%) e umidade relativa (0–98% RH) em temperaturas de 5–450°C, com resolução sub-micrograma e critérios de equilíbrio rigorosos (<0,002%/min por 10 min). Isso gera isotermas únicas, isobaras, isohumes e experimentos de co-sorção, possibilitando superfícies 3D completas de uptake total.

4. Quais são os principais resultados das medições isoladas de CO₂ e H₂O no CALF-20? 

As isotermas de CO₂ mostram comportamento Tipo I, com uptake >3 mmol/g em faixas industriais e reversibilidade confirmada por histerese mínima. As de H₂O revelam caráter parcialmente hidrofóbico: uptake mínimo <10% RH e condensação capilar >20% RH, com entalpia inicial <44 kJ/mol, indicando interações fracas com o framework.

5. O que revelam as superfícies 3D de co-sorção e por que elas são importantes? 

As superfícies 3D (obtidas com fundo fixo de um componente e varredura do outro) mostram a paisagem competitiva entre CO₂ e H₂O em todo o espaço paramétrico. Elas identificam regiões de competição e interação, fornecendo dados quantitativos diretos para modelagem, otimização de ciclos de adsorção-regeneração e dimensionamento industrial.

6. Essa metodologia pode ser aplicada a outros materiais além do CALF-20? 

Sim, a abordagem gravimétrica sistemática do DVS Carbon Advanced é genérica e se aplica a MOFs funcionalizados, zeólitas (ex.: 13X), carbons porosos, sorventes amina-graft e outros materiais para captura de carbono. Ela permite caracterização realista em condições multicomponentes (CO₂ + H₂O + temperatura), essencial para pesquisa e escala industrial.

Referências


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