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Capa do Artigo Caracterização de Excipientes Farmacêuticos por IGC e DVS na Liberação Controlada de Fármacos

Caracterização de Excipientes Farmacêuticos por IGC e DVS na Liberação Controlada de Fármacos

Entenda como IGC e DVS ajudam a caracterizar excipientes farmacêuticos, analisando energia superficial, sorção de umidade e liberação controlada de medicamentos.

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Por: Dafratec | Em 21/10/2026 | Artigo
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Como IGC e DVS ajudam a compreender a liberação de medicamentos por excipientes farmacêuticos?

Comprimido de matriz polimérica mostrando absorção de água, intumescimento e liberação controlada de medicamentos.

A cromatografia gasosa inversa (IGC) e a sorção dinâmica de vapor (DVS) ajudam a compreender o comportamento dos excipientes farmacêuticos ao relacionar suas propriedades superficiais à interação com a água. 

A IGC investiga energia superficial, polaridade e interações ácido-base; a DVS mede a absorção e a perda de umidade. Juntas, essas informações ajudam a explicar o intumescimento de polímeros e os mecanismos de liberação de medicamentos.

Essa relação foi investigada por pesquisadores da Universidade de Ljubljana, na Eslovênia, em um estudo publicado em 2006 no European Journal of Pharmaceutical Sciences. O trabalho analisou três derivados de celulose e a liberação de dois fármacos hidrossolúveis.

Neste artigo, você verá:

  • Por que os excipientes podem controlar a liberação de medicamentos.
  • Como polaridade, hidratação e intumescimento estão relacionados.
  • O que IGC e DVS medem e como foram utilizadas na pesquisa.
  • Quais resultados foram encontrados para HEC, HPMC e HPC.
  • Como aplicar essas informações à caracterização de formulações farmacêuticas.

O estudo mostrou que propriedades superficiais dos polímeros estão associadas à absorção de água e aos mecanismos de liberação dos medicamentos nas condições investigadas.

1. Por que os excipientes farmacêuticos influenciam a liberação de medicamentos?

Infográfico das etapas de hidratação, formação da camada de gel e liberação controlada do fármaco em comprimidos matriciais.

Os excipientes farmacêuticos desempenham funções como conferir estrutura ao comprimido, facilitar a fabricação e contribuir para a estabilidade da formulação. Alguns deles também participam do controle da liberação do princípio ativo.

Nos comprimidos matriciais hidrofílicos, o medicamento fica distribuído em uma estrutura polimérica. Quando o comprimido entra em contato com a água, o polímero se hidrata, pode aumentar de volume e formar uma camada de gel.

Essa camada influencia a passagem do fármaco para o meio externo. Por isso, a escolha do polímero é uma variável importante no desenvolvimento de formulações farmacêuticas.

Como o medicamento é liberado da matriz?

  • Difusão: moléculas do fármaco atravessam a matriz hidratada.
  • Relaxação polimérica: as cadeias do polímero ganham mobilidade e se reorganizam durante a hidratação.
  • Erosão: a perda progressiva de material da matriz também pode contribuir para a liberação, dependendo da formulação.

Esses processos podem atuar simultaneamente, com contribuições diferentes conforme o polímero, o medicamento e as condições de dissolução.

A interação entre polímero e água modifica a estrutura da matriz e pode alterar a velocidade de liberação do princípio ativo.

2. Como as propriedades superficiais influenciam a absorção de água?

Infográfico comparando HEC, HPMC e HPC quanto à polaridade, hidratação e absorção de água em matrizes poliméricas.

Energia superficial, polaridade e características ácido-base ajudam a descrever como um sólido interage com outras moléculas. Nos polímeros hidrofílicos, essas propriedades estão relacionadas à afinidade com a água.

Quando a água penetra em uma matriz polimérica, pode ocorrer uma sequência de fenômenos:

  • Hidratação: entrada de água e interação com os grupos químicos do polímero.
  • Intumescimento: expansão da matriz pela absorção de líquido. No estudo, foi quantificado pelo ganho de massa após hidratação.
  • Relaxação: reorganização das cadeias poliméricas.
  • Transporte do fármaco: difusão das moléculas pela estrutura hidratada.

Entretanto, essas etapas não ocorrem com a mesma intensidade em todos os materiais. Assim, a caracterização das superfícies pode ajudar a explicar diferenças entre excipientes.

Polímeros quimicamente distintos podem apresentar diferentes níveis de sorção de água, intumescimento e liberação de medicamentos.

3. Como a cromatografia gasosa inversa (IGC) e a sorção dinâmica de vapor (DVS) caracterizam excipientes?

Infográfico comparando IGC e DVS na análise de propriedades superficiais, sorção de umidade e comportamento de excipientes.

Cromatografia gasosa inversa: propriedades da superfície

A cromatografia gasosa inversa (IGC) utiliza moléculas de prova com propriedades conhecidas para investigar suas interações com a superfície de um material sólido.

A partir dos tempos de retenção, é possível determinar parâmetros de energia superficial dispersiva, interações específicas de adsorção e comportamento ácido-base. A técnica também é abordada na página sobre caracterização de sólidos particulados por IGC.

Sorção dinâmica de vapor: resposta à umidade

A sorção dinâmica de vapor (DVS) acompanha a variação de massa de uma amostra quando ela é exposta a condições controladas de umidade relativa.

O método permite construir isotermas de sorção e dessorção e avaliar o comportamento higroscópico dos materiais. Para aprofundar o tema, consulte o artigo sobre sorção de umidade de materiais farmacêuticos por DVS.

Enquanto a IGC investiga propriedades e interações da superfície, a DVS observa diretamente a resposta gravimétrica do material ao vapor de água.

IGC e DVS são técnicas complementares: uma caracteriza interações superficiais; a outra mede o comportamento do material diante da umidade.

4. Como os pesquisadores aplicaram IGC e DVS no estudo?

O artigo Analysis of surface properties of cellulose ethers and drug release from their matrix tablets, de Baumgartner e colaboradores (2006), investigou três derivados de celulose e sua influência sobre a liberação de pentoxifilina e cloridrato de vancomicina.

Quais polímeros foram analisados?

PolímeroDenominação
HECHidroxietilcelulose
HPMCHidroxipropilmetilcelulose
HPCHidroxipropilcelulose

Os comprimidos utilizados nos ensaios de liberação foram preparados com 75% de polímero e 25% de medicamento. Para os ensaios de intumescimento, foram utilizados comprimidos contendo apenas polímero. 

A seleção de dois fármacos hidrossolúveis com tamanhos moleculares diferentes permitiu comparar seus perfis de liberação.

Quais equipamentos foram utilizados na pesquisa?

Para a IGC, os autores utilizaram um cromatógrafo gasoso Hewlett-Packard HP 5890A Series II, com detector de ionização de chama. As análises foram conduzidas a 30, 40, 50 e 60 °C, com moléculas de prova polares e apolares.

Para a sorção de umidade, foi utilizado um equipamento DVS da Surface Measurement Systems. Os pesquisadores também realizaram ensaios de intumescimento e dissolução dos comprimidos.

Nota sobre os equipamentos: o estudo não utilizou o iGC-SEA e não identifica o DVS Adventure como o modelo empregado. Ambos são apresentados adiante como soluções atuais para aplicações relacionadas.

O desenho experimental conectou medições em polímeros secos, sorção de umidade, intumescimento e liberação dos medicamentos.

5. O que os resultados de IGC e DVS revelaram sobre HEC, HPMC e HPC?

As diferenças na componente dispersiva da energia superficial foram relativamente pequenas. Entretanto, as propriedades polares variaram de maneira mais expressiva entre os polímeros.

Qual foi a ordem de polaridade?

As análises de IGC indicaram a seguinte sequência:

HEC > HPMC > HPC

Essa ordem também foi observada na sorção de água: o HEC apresentou maior absorção de umidade, o HPMC teve comportamento intermediário e o HPC apresentou menor sorção.

Gráficos de sorção e dessorção de vapor de água dos polímeros HEC, HPMC e HPC em diferentes umidades relativas.
Figura 1 – Curvas de sorção e dessorção de vapor de água dos polímeros HEC, HPMC e HPC em diferentes umidades relativas, obtidas por DVS. O HEC apresentou a maior sorção de umidade. Fonte: Adaptado de Baumgartner et al. (2006).

Como os polímeros se comportaram no intumescimento?

Os ensaios em meio aquoso seguiram a mesma tendência: o HEC apresentou maior grau de intumescimento, seguido de HPMC e HPC.

Gráfico comparativo do grau de intumescimento de comprimidos de HEC, HPMC e HPC durante oito horas em água.
Figura 2 – Evolução do grau de intumescimento de matrizes poliméricas de HEC, HPMC e HPC ao longo de oito horas. O HEC apresentou o maior grau de intumescimento. Fonte: Baumgartner et al. (2006).

Os resultados foram consistentes com a relação entre polaridade superficial e interação com a água observada na pesquisa.

Nas condições do estudo, maior polaridade superficial esteve associada a maior sorção de água e maior intumescimento.

6. Como as diferenças entre os polímeros afetaram a liberação dos medicamentos?

Os perfis de dissolução indicaram liberação mais rápida nas matrizes de HEC, seguida de HPMC e HPC.

Após 24 horas, a pentoxifilina havia sido liberada quase completamente das matrizes de HEC e HPMC. Na matriz de HPC, a liberação foi de aproximadamente 90%.

Para a vancomicina, a diferença entre os polímeros foi mais pronunciada:

PolímeroVancomicina liberada após 24 horas
HECAproximadamente 100%
HPMCAproximadamente 87%
HPCAproximadamente 78%

A vancomicina foi liberada mais lentamente do que a pentoxifilina, comportamento associado ao seu maior tamanho molecular.

Gráficos dos perfis de liberação de pentoxifilina e vancomicina em comprimidos de HEC, HPMC e HPC ao longo do tempo.
Figura 3 – Perfis de liberação de pentoxifilina e vancomicina em matrizes de HEC, HPMC e HPC. O HEC apresentou liberação mais rápida para ambos os fármacos. Fonte: Baumgartner et al. (2006).

Difusão ou relaxação: qual mecanismo predominou?

O modelo de Peppas–Sahlin foi empregado para distinguir contribuições da difusão e da relaxação das cadeias poliméricas.

  • HPC: maior predominância da difusão.

  • HEC: contribuição mais expressiva da relaxação polimérica.

  • HPMC: predominância da difusão, com maior contribuição da relaxação que no HPC.

Gráfico da relação entre as contribuições de relaxação polimérica e difusão na liberação de pentoxifilina e vancomicina em matrizes de HEC, HPMC e HPC.
Figura 5 – Relação entre relaxação polimérica e difusão na liberação de pentoxifilina e vancomicina. O HEC apresentou maior contribuição relativa da relaxação, enquanto a difusão predominou nas matrizes de HPC e HPMC.

As propriedades dos polímeros estiveram relacionadas à velocidade de liberação e à importância relativa dos mecanismos de difusão e relaxação.

7. IGC e DVS permitem prever o comportamento dos excipientes farmacêuticos?

O estudo identificou correlações entre parâmetros de superfície, sorção de água e mecanismos de liberação. Os pesquisadores correlacionaram a soma dos parâmetros ácido-base (Ka + Kd), determinados por IGC, com a constante cinética de relaxação polimérica (k₂).

O HEC apresentou maior polaridade e maior participação da relaxação, enquanto os demais polímeros tiveram contribuição menor desse mecanismo.

Gráfico da correlação entre a soma dos parâmetros ácido-base (Ka + Kd) e a constante cinética de relaxação (k₂) para pentoxifilina e vancomicina em matrizes de HEC, HPMC e HPC.
Figura 6 – Correlação entre as propriedades ácido-base dos polímeros e a constante cinética de relaxação na liberação de pentoxifilina e vancomicina. O HEC apresentou os maiores valores de polaridade e relaxação polimérica. Fonte: Baumgartner et al. (2006).

Entretanto, a interpretação exige cuidado. A IGC caracterizou os polímeros secos, enquanto a liberação ocorre em matrizes hidratadas, cujas propriedades podem se modificar.

Além disso, foram avaliados somente três derivados de celulose e dois medicamentos hidrossolúveis. Portanto, a pesquisa não estabeleceu uma previsão universal aplicável a qualquer formulação.

IGC e DVS ajudam a antecipar tendências e compreender mecanismos, mas não substituem ensaios de dissolução e validação da formulação.

8. Quais equipamentos atuais permitem investigar essas propriedades?

As aplicações descritas podem ser investigadas com equipamentos especializados de caracterização de superfícies e sorção de vapor. A Surface Measurement Systems desenvolve soluções nessas duas áreas, disponíveis no portfólio da Dafratec.

iGC-SEA: caracterização de energia superficial por IGC

iGC-SEA da Surface Measurement Systems para caracterização da energia superficial de excipientes farmacêuticos

O iGC-SEA da Surface Measurement Systems é um analisador dedicado à cromatografia gasosa inversa (IGC), utilizado para investigar energia superficial dispersiva e polar, interações ácido-base e propriedades de adsorção de materiais sólidos, incluindo excipientes farmacêuticos.

Saiba mais sobre o iGC-SEA

DVS Adventure: análise de sorção de vapor de água

DVS Adventure da Surface Measurement Systems para análise de sorção dinâmica de vapor de água em materiais farmacêuticos

O DVS Adventure da Surface Measurement Systems é um analisador de sorção dinâmica de vapor que mede alterações de massa sob condições controladas de umidade relativa. Permite investigar sorção, dessorção e comportamento higroscópico de materiais, incluindo polímeros utilizados em formulações farmacêuticas.

Saiba mais sobre o DVS Adventure

Na pesquisa farmacêutica, essas técnicas podem contribuir para comparar matérias-primas, investigar higroscopicidade e compreender interações entre excipientes e umidade. Para aprofundar aplicações relacionadas, consulte também o artigo sobre caracterização de materiais farmacêuticos por sorção de vapor.

O iGC-SEA e o DVS Adventure permitem investigar, respectivamente, propriedades superficiais e interação com a umidade — duas dimensões importantes para caracterizar excipientes.

9. Conclusão: por que caracterizar excipientes ajuda a compreender a liberação controlada?

O estudo de Baumgartner e colaboradores demonstrou que diferenças nas propriedades superficiais de derivados de celulose estavam relacionadas à sorção de água, ao intumescimento e aos mecanismos de liberação de medicamentos.

O HEC apresentou maior polaridade e maior sorção de água, além de liberação mais rápida dos fármacos investigados. Nesse polímero, a relaxação das cadeias teve contribuição mais expressiva para o processo.

Ao combinar IGC, DVS e ensaios de dissolução, os pesquisadores obtiveram uma interpretação mais completa do comportamento das matrizes hidrofílicas.

Caracterizar como o excipiente interage com a água ajuda a explicar seu papel na liberação do medicamento e a orientar novas investigações de formulação.

Perguntas frequentes sobre excipientes farmacêuticos, IGC e DVS

O que são excipientes farmacêuticos?

São componentes de uma formulação que desempenham funções auxiliares ao princípio ativo, como conferir estrutura, facilitar a fabricação e contribuir para a estabilidade. Alguns também influenciam a liberação do medicamento.

Como os excipientes influenciam a liberação de medicamentos?

Em comprimidos matriciais, polímeros podem absorver água, formar uma camada hidratada e modificar os caminhos de difusão do fármaco. A relaxação e a erosão da matriz também podem contribuir para a liberação.

Para que serve a cromatografia gasosa inversa (IGC)?

A IGC caracteriza interações da superfície de materiais sólidos, incluindo energia superficial, interações específicas de adsorção e características ácido-base.

O que mede a sorção dinâmica de vapor (DVS)?

A DVS mede alterações de massa de uma amostra exposta a diferentes condições de umidade relativa, permitindo investigar a sorção e a dessorção de vapor.

Qual é a diferença entre IGC e DVS?

A IGC utiliza moléculas de prova para investigar propriedades superficiais; a DVS acompanha a resposta gravimétrica do material ao vapor. São técnicas complementares.

O que é intumescimento de polímeros?

É o aumento de volume de uma matriz polimérica associado à absorção de líquido. Em comprimidos hidrofílicos, influencia a estrutura da camada hidratada e a liberação do medicamento.

IGC e DVS conseguem prever a velocidade de liberação de um medicamento?

Podem ajudar a identificar tendências e compreender mecanismos, mas não determinam sozinhas o perfil de liberação. São necessários ensaios de dissolução e avaliação da formulação.

Qual polímero absorveu mais água no estudo?

A hidroxietilcelulose (HEC) apresentou maior sorção de água e intumescimento, seguida por HPMC e HPC.

O iGC-SEA e o DVS Adventure foram utilizados na pesquisa de 2006?

Não há evidência de que esses modelos tenham sido usados. O estudo identificou um cromatógrafo Hewlett-Packard HP 5890A Series II para IGC e um equipamento DVS da Surface Measurement Systems, sem confirmar o modelo Adventure.

Referência científica

Baumgartner, S.; Planinšek, O.; Srčič, S.; Kristl, J. Analysis of surface properties of cellulose ethers and drug release from their matrix tablets. European Journal of Pharmaceutical Sciences, v. 27, p. 375–383, 2006.

DOI: 10.1016/j.ejps.2005.11.009


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