Equipamentos científicos avançados podem exigir investimentos elevados, infraestrutura específica e profissionais especializados. Em vez de manter esses recursos restritos a um único laboratório, universidades podem concentrá-los em estruturas compartilhadas conhecidas como Research Cores ou Core Facilities.
Um estudo publicado pela Ithaka S+R analisou como essas estruturas são organizadas em universidades dos Estados Unidos, quais tecnologias concentram, como são financiadas e quais fatores influenciam sua sustentabilidade.

Um Research Core reúne equipamentos, infraestrutura e conhecimento técnico para atender diferentes grupos de pesquisa.
O que é um Research Core?
Research Cores são unidades centralizadas que oferecem acesso compartilhado a instrumentação científica avançada e serviços especializados para pesquisadores.
O estudo utiliza o termo para englobar estruturas também chamadas de core facilities, shared core facilities e shared research resources.
Segundo os autores, cinco características ajudam a diferenciar um Research Core de um laboratório de pesquisa convencional:
- Instrumentação: equipamentos avançados que podem ser financeiramente difíceis ou inviáveis para aquisição e manutenção por pesquisadores individuais.
- Especialização: profissionais qualificados para operar tecnologias e prestar serviços especializados aos pesquisadores.
- Gestão: administração e acompanhamento institucional geralmente mais centralizados.
- Compartilhamento: acesso por pesquisadores de diferentes grupos, departamentos e, em alguns casos, instituições.
- Cobrança por serviços: muitos centros utilizam modelos nos quais os usuários pagam pelo tempo de utilização dos instrumentos ou pelos serviços realizados.

Por que compartilhar equipamentos científicos?
Um dos principais benefícios desse modelo é ampliar o acesso a tecnologias que podem ser financeiramente difíceis de adquirir e manter por pesquisadores individuais.
Entre as estruturas analisadas pelo estudo aparecem tecnologias e áreas como:
- ressonância magnética nuclear (RMN);
- microscopia confocal;
- microscopia eletrônica de varredura (MEV);
- microscopia eletrônica de transmissão (MET);
- microscopia crioeletrônica (Cryo-EM);
- genômica;
- citometria e separação celular;
- proteômica;
- nanotecnologia;
- espectrometria.
No total, o relatório investigou 14 categorias de infraestrutura científica compartilhada.
O modelo permite ampliar o acesso a equipamentos avançados e concentrar serviços especializados em uma infraestrutura compartilhada.
O que o estudo analisou?
Os pesquisadores avaliaram 23 instituições. A amostra incluiu universidades classificadas como R1 e R2 e três instituições ou consórcios de liberal arts com investimentos relevantes em pesquisa científica.
O objetivo foi investigar se a fonte de financiamento da universidade influencia os tipos de Research Cores disponíveis e se existem padrões relacionados ao nível de atividade científica das instituições.
Para isso, foram pesquisados 14 tipos de infraestrutura, desde microscopia e espectrometria até genômica, proteômica, nanotecnologia, impressão 3D e instalações para pesquisa animal.
Universidades com maior atividade de pesquisa concentram mais infraestrutura avançada
Dentro da amostra analisada, as universidades R1 apresentaram uma disponibilidade mais ampla de Research Cores.
A maioria dessas instituições apresentava 13 ou 14 das 14 categorias investigadas. Tanto universidades R1 públicas quanto privadas possuíam, em média, aproximadamente 13 tipos de Research Cores.
Essas instituições também apresentaram maior presença de estruturas voltadas a áreas especializadas, como genômica, proteômica e nanotecnologia.
Na amostra estudada, instituições R1 apresentaram maior diversidade de infraestrutura científica compartilhada.
Equipamentos avançados também trazem custos elevados
O estudo usa a microscopia crioeletrônica como exemplo de tecnologia capaz de exigir investimentos particularmente elevados.
Sete das dez instituições R1 avaliadas possuíam Cryo-EM. Segundo uma referência citada pelo relatório, um equipamento de ponta custava aproximadamente US$ 7 milhões, sem considerar os investimentos adicionais necessários para adequação do laboratório.
O custo médio de operação citado pelo estudo poderia chegar a US$ 10 mil por dia, ultrapassando US$ 3 milhões por ano.
O exemplo mostra a dimensão financeira envolvida na aquisição e operação de determinadas tecnologias científicas avançadas.
Quanto custa manter um Research Core?
A aquisição do equipamento representa apenas uma parte do investimento necessário.
Um estudo de 2019 citado pelo relatório, que pesquisou mais de 100 instituições dos Estados Unidos, mostrou que custos de pessoal representavam mais de 50% das despesas operacionais dos Research Cores.
Contratos de serviço e manutenção de equipamentos representavam aproximadamente 20%. Consumíveis correspondiam a cerca de outros 20%.

Comprar o equipamento é apenas uma parte do investimento. Pessoas, manutenção e consumíveis têm peso significativo no custo de operação.
Como os Research Cores são financiados?
A implantação de um Research Core pode combinar diferentes fontes de recursos.
Em um levantamento citado pelo relatório, os recursos utilizados para aquisição de novos equipamentos vieram de grants externos em 87% das instituições pesquisadas, recursos institucionais centrais em 83%, recursos departamentais em 73%, taxas de usuários em 50%, recursos administrativos e de infraestrutura em 50% e doações em 27%.
Depois da implantação, muitos centros adotam um modelo de recuperação de custos, conhecido como cost recovery.
Nesse modelo, pesquisadores pagam pelo uso dos instrumentos ou pelos serviços realizados. O objetivo típico é gerar receita suficiente para equilibrar os custos, e não produzir excedente financeiro.
Na prática, porém, o próprio estudo destaca que recuperar integralmente os custos operacionais apenas com taxas de usuários é difícil. Por isso, muitos Research Cores também dependem de subsídios internos e externos.
De onde vem a receita de um Research Core?
Os dados apresentados no relatório mostram que as taxas pagas pelos usuários constituem uma das principais fontes de receita.
No conjunto de dados citado pelos autores, aproximadamente 50% da receita vinha de taxas de serviço, cerca de 30% de subsídios internos e mais de 12% de financiamento externo.
Usuários internos tinham participação especialmente importante. Segundo um levantamento mencionado no relatório, a receita proveniente desses pesquisadores era seis vezes maior do que a gerada por usuários acadêmicos externos e 11 vezes maior do que a proveniente de usuários corporativos externos.

O equipamento sozinho não define um Research Core
O estudo dedica atenção especial às pessoas responsáveis pela operação dessas estruturas.
Gerentes, cientistas e técnicos podem realizar atividades que vão além da operação de instrumentos. Entre elas estão consultoria tecnológica, desenho experimental, análise de dados, treinamento de usuários e apoio em solicitações de financiamento.
Em um estudo de 2019 citado pelos autores, aproximadamente 55% dos Research Cores nos Estados Unidos apresentavam algum componente de prestação de serviços.
Uma infraestrutura científica compartilhada não é formada apenas por instrumentos. A expertise da equipe também faz parte do serviço.
O que torna um Research Core sustentável?
O relatório destaca três fatores especialmente importantes para a sustentabilidade financeira dessas estruturas ao longo do tempo.
Capacidade de atrair usuários
A utilização dos equipamentos influencia diretamente a situação financeira do centro. Um Research Core que não acompanha o desenvolvimento tecnológico ou deixa de oferecer serviços demandados pode sofrer redução significativa de utilização.
Capacidade de obter financiamento
Taxas de utilização nem sempre são suficientes para cobrir todos os custos. Por isso, financiamento institucional e recursos externos continuam importantes para muitas estruturas.
Alinhamento com as prioridades da instituição
As prioridades institucionais podem influenciar diretamente quais Research Cores recebem mais investimento interno. Políticas e modelos de gestão também variam entre as universidades.
Compartilhar também exige organização
Quanto maior o número de usuários, mais importante se torna coordenar o acesso aos equipamentos.
O estudo destaca três estratégias: sistemas de agendamento, formação de alianças nacionais ou regionais e compartilhamento de dados em bases públicas.
Essas iniciativas podem melhorar a utilização da infraestrutura, ampliar sua visibilidade e facilitar o acesso de pesquisadores aos recursos disponíveis.
O que o estudo mostra sobre o futuro da infraestrutura científica?
Os Research Cores mostram como universidades podem centralizar tecnologias avançadas e serviços especializados para ampliar o acesso à infraestrutura científica.
O estudo também deixa claro que adquirir equipamentos é apenas uma parte desse processo. A sustentabilidade depende de demanda, financiamento, gestão, manutenção e profissionais qualificados.
Em suas reflexões finais, os autores destacam questões como centralização e colaboração, recuperação de custos e profissionalização das equipes como aspectos importantes para o futuro dessas estruturas.
O desafio não é apenas adquirir tecnologia avançada. É manter uma estrutura capaz de torná-la acessível, utilizada e relevante para a pesquisa ao longo do tempo.
Dafratec: tecnologias para Research Cores e infraestrutura científica

Como mostra o estudo, a capacidade de um Research Core não depende apenas da aquisição de instrumentos. A infraestrutura precisa acompanhar as linhas de pesquisa atendidas, manter tecnologias relevantes e contar com suporte especializado para sustentar sua utilização ao longo do tempo.
Nesse contexto, a Dafratec atua no fornecimento de instrumentação científica e suporte técnico para universidades, centros de pesquisa, laboratórios e estruturas multiusuárias, com soluções para diferentes áreas de caracterização e análise.
Entre as linhas de tecnologias que podem integrar esse tipo de infraestrutura estão:
- Caracterização de partículas e nanopartículas: tamanho, distribuição, concentração, morfologia e potencial zeta;
- Caracterização de vesículas extracelulares: análise de tamanho, concentração e outras propriedades de partículas em escala nanométrica;
- Caracterização de materiais e superfícies: adsorção, propriedades de superfície, interações e comportamento de materiais;
- Estabilidade de dispersões: análise de suspensões, emulsões, espumas e outros sistemas dispersos;
- Biotecnologia e bioprocessos: soluções para cultivo, monitoramento e desenvolvimento de processos biológicos;
- Contagem e análise celular: tecnologias para determinação de concentração e viabilidade celular;
- Contagem e monitoramento de partículas: instrumentação para análise de partículas em líquidos e monitoramento de ambientes e processos.
Está estruturando um Research Core, ampliando uma central multiusuária ou incorporando novas técnicas à sua infraestrutura de pesquisa? Entre em contato com a equipe da Dafratec para conhecer as tecnologias disponíveis e avaliar quais soluções atendem às necessidades e linhas de pesquisa da sua instituição.
Leituras recomendadas
Para aprofundar o tema, consulte o estudo original sobre Research Cores e um conteúdo complementar sobre planejamento, aquisição e sustentabilidade de equipamentos científicos.
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What Is a Research Core? A Primer on a Critical Component of the Research Enterprise
Estudo da Ithaka S+R sobre estrutura, gestão, financiamento e sustentabilidade de Research Cores.
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Compra de equipamentos científicos: o risco invisível que pesa mais que o preço
Conteúdo da Dafratec sobre fatores que vão além do preço de compra, como infraestrutura, treinamento, suporte e custo total de propriedade.