Capa do Artigo Isolamento de Vesículas Extracelulares em Plasma: EXODUS H-600 e T-2800

Isolamento de Vesículas Extracelulares em Plasma: EXODUS H-600 e T-2800

Isolamento de Vesículas Extracelulares em Plasma com EXODUS H-600 e T-2800: pureza 3x superior à UC e rendimento 50x maior. Dados experimentais com TEM, Western blot e NTA.

Por: Dafratec | Em 06/04/2026 | Artigo
Compartilhar:

🔬 SBBQ 2026: Encontre a Dafratec no maior evento de bioquímica do Brasil

A Dafratec participará da SBBQ 2026 com demonstrações ao vivo de equipamentos para análise de partículas, nanopartículas e bioprocessos — 16 a 19 de maio, Águas de Lindóia, SP.


O isolamento de vesículas extracelulares (EVs) a partir do plasma representa uma das etapas mais críticas, e mais desafiadoras, da pesquisa biomédica contemporânea. Estudos recentes demonstraram que o EXODUS supera métodos convencionais como ultracentrifugação (UC) e precipitação por polietilenoglicol (PEG), alcançando pureza mais de três vezes superior e rendimento 50 vezes maior a partir de apenas 20 µL de plasma.

Esses resultados redefinem o padrão técnico esperado para isolamento de EVs, com implicações diretas para a validade de análises proteômicas, transcriptômicas e ensaios funcionais downstream.

O mercado global de vesículas extracelulares tem apresentado expansão consistente, impulsionado pelo avanço das pesquisas em diagnóstico líquido, oncologia e desenvolvimento de terapias baseadas em EVs, refletindo a demanda crescente por métodos de isolamento reprodutíveis e escaláveis.

  • Como o EXODUS isola vesículas extracelulares do plasma
  • Resultados experimentais com o EXODUS H-600: TEM, rendimento e pureza
  • Resultados experimentais com o EXODUS T-2800: TEM, Western blot e NTA
  • H-600 vs. T-2800: quando usar cada modelo
  • Aplicações em pesquisa biomédica e diagnóstico

O que são vesículas extracelulares e por que seu isolamento é desafiador

Vesículas extracelulares são estruturas lipoproteicas nanométricas liberadas por praticamente todos os tipos celulares, atuando como mediadores essenciais da comunicação intercelular. No plasma, carregam proteínas, ácidos nucleicos e lipídeos que refletem o estado funcional da célula de origem, o que as torna altamente relevantes para pesquisa biomédica e desenvolvimento de biomarcadores. A International Society for Extracellular Vesicles (ISEV) estabelece as diretrizes internacionais para nomenclatura, isolamento e caracterização dessas partículas.

No plasma, as EVs coexistem com proteínas do hospedeiro, lipoproteínas e debris celulares, todos na mesma faixa de tamanho e densidade. Quatro critérios definem a qualidade do isolamento:

  • Pureza: remoção de proteínas co-isoladas e impurezas.
  • Rendimento: quantidade de partículas recuperadas em relação ao total da amostra.
  • Integridade: preservação da morfologia e atividade biológica.
  • Reprodutibilidade: consistência entre operadores, amostras e escalas.

Métodos como ultracentrifugação (UC) e precipitação por polietilenoglicol (PEG) são amplamente utilizados, mas apresentam limitações conhecidas em pureza, tempo de processamento e risco de dano estrutural por cisalhamento elevado. Veja mais em Dilsiz (2024).


Como o EXODUS isola vesículas extracelulares do plasma

O EXODUS opera por nanofiltração de membrana dupla integrada a dois mecanismos de oscilação simultâneos. A oscilação de pressão negativa periódica (NPO) mobiliza o fluido na interface da membrana, prevenindo fouling. As oscilações harmônicas ultrassônicas duplamente acopladas (HO) mantêm as partículas em suspensão homogênea, prevenindo agregação.

Por meio de uma membrana nanoporosa, os exossomos são interceptados com precisão enquanto ácidos nucleicos livres e proteínas atravessam a membrana e são eliminados. O resultado é um isolamento altamente seletivo com baixo cisalhamento, preservando estrutura e função das partículas.

Esse princípio se aplica tanto ao H-600 (modelo compacto de bancada para volumes menores a médios) quanto ao T-2800 (sistema de grande escala para produção em larga escala e manufatura GMP).

Isolamento de EVs Plasmáticas com o EXODUS H-600: Resultados Experimentais

Os dados foram documentados pela Exodus Bio utilizando plasma de pacientes com carcinoma de células escamosas do esôfago, uma matriz complexa que representa condição clínica relevante para validação do método.

EXODUS H-600 — sistema automatizado de isolamento de vesículas extracelulares com tela touch de 10,4 polegadas exibindo interface de controle em tempo real
EXODUS H-600: equipamento de bancada para isolamento automatizado de vesículas extracelulares, desenvolvido pela Exodus Bio. Equipado com tela touch de 10,4" para monitoramento em tempo real de temperatura, reagentes e parâmetros de processamento.

Caracterização morfológica por microscopia eletrônica de transmissão (TEM)

A análise por TEM revelou morfologia característica em forma de taça e semelhante a uma placa, padrão consistente com a literatura para exossomos de origem plasmática. A barra de escala de 400 nm confirma que as partículas estão na faixa esperada para small EVs.

A preservação da morfologia após o processo indica ausência de desnaturação proteica ou ruptura de membrana, condição necessária para que análises funcionais subsequentes produzam dados válidos.

Micrografia eletrônica de transmissão (TEM) de exossomos isolados do plasma de pacientes com carcinoma de células escamosas do esôfago utilizando o EXODUS H-600, mostrando morfologia característica em forma de taça. Barra de escala = 400 nm
Figura 1: Análise por microscopia eletrônica de transmissão (TEM) de exossomos isolados do plasma utilizando o EXODUS H-600. As vesículas apresentam a morfologia típica em forma de taça e placa, consistente com small EVs. Barra de escala = 400 nm.

Rendimento e pureza: EXODUS H-600 vs. ultracentrifugação vs. PEG

Comparação direta entre os três métodos a partir de 20 µL de plasma (≈ 2 × 10¹⁰ partículas/mL), conforme documentado pela Exodus Bio:

  • Rendimento: EVs isoladas pelo EXODUS H-600 e por PEG apresentaram aumento de mais de 50 vezes em relação à UC.
  • Pureza: a pureza das sEVs pelo EXODUS H-600 foi mais de três vezes superior à obtida por UC ou PEG.
Gráfico comparativo mostrando o rendimento e a pureza das vesículas extracelulares (sEVs) isoladas do plasma por três métodos: EXODUS H-600, ultracentrifugação (UC) e precipitação com PEG. O EXODUS H-600 apresenta rendimento mais de 50 vezes superior à UC e pureza mais de três vezes maior que UC e PEG
Figura 2: Comparação de rendimento e pureza das small EVs (sEVs) isoladas a partir de 20 µL de plasma usando EXODUS H-600, ultracentrifugação (UC) e precipitação por PEG. O método EXODUS alcançou rendimento mais de 50 vezes maior e pureza mais de três vezes superior em relação à UC.

A combinação de alto rendimento com alta pureza é o diferencial crítico do EXODUS H-600. Enquanto o PEG apresenta rendimento comparável, sua pureza é significativamente inferior, comprometendo análises downstream sensíveis como proteômica e transcriptômica.

Isolamento de EVs Plasmáticas com o EXODUS T-2800: Resultados Experimentais

O T-2800 foi caracterizado por três abordagens complementares, cobrindo morfologia, identidade molecular e perfil de tamanho e concentração.

EXODUS T-2800 — equipamento para isolamento automatizado de vesículas extracelulares em larga escala, com interface de controle e sistema de nanofiltração, desenvolvido pela Exodus Bio
EXODUS T-2800: sistema de isolamento de vesículas extracelulares em escala maior, ideal para produção em larga escala e aplicações GMP. Desenvolvido pela Exodus Bio para processamento de volumes maiores com alta pureza e reprodutibilidade.

Caracterização morfológica por TEM

A microscopia eletrônica revelou as formas características em taça e placa dos exossomos isolados com o T-2800, barra de escala de 400 nm. A morfologia preservada confirma que o mecanismo de baixo cisalhamento opera de forma equivalente no modelo compacto.

Caracterização de vesículas extracelulares isoladas do plasma com o EXODUS T-2800: (esquerda) micrografia TEM mostrando morfologia em taça (barra 400 nm), (centro) Western blot com marcadores positivos TSG101, CD81, CD9 e negativo calnexina, (direita) análise por NTA com tamanho médio de 100 nm e concentração de 2,8 × 10¹¹ partículas/mL
Figura 3: Caracterização completa das EVs isoladas do plasma com o EXODUS T-2800. (Esquerda) TEM revelando morfologia característica em forma de taça (barra de escala = 400 nm). (Centro) Western blot confirmando marcadores positivos TSG101, CD81 e CD9, com ausência do marcador negativo calnexina. (Direita) Análise por Nanoparticle Tracking Analysis (NTA) mostrando tamanho médio de 100 nm e concentração de 2,8 × 10¹¹ partículas/mL.


Confirmação de marcadores por Western Blot

A identidade dos exossomos foi validada por Western blot com painel de marcadores canônicos:

  • Positivos (detectados): TSG101, CD81 e CD9 — proteínas de membrana e endossomais, marcadores padrão de exossomos segundo as diretrizes da ISEV.
  • Negativo (não detectado): calnexina — proteína residente do retículo endoplasmático, cuja ausência confirma ausência de contaminação por debris de organelas.

A detecção de marcadores positivos combinada à ausência de calnexina é o critério padrão para validação de pureza de exossomos segundo as recomendações internacionais da ISEV (MISEV2018).

Análise por NTA: tamanho e concentração das partículas isoladas

A análise por rastreamento de nanopartículas (NTA) demonstrou tamanho médio de 100 nm e concentração de 2,8 × 10¹¹ partículas/mL, valores consistentes com o perfil esperado para small EVs de origem plasmática e adequados para experimentos downstream.

H-600 vs. T-2800: quando usar cada modelo

Ambos compartilham o mesmo princípio de nanofiltração com NPO e HO, mas diferem em escala e perfil de aplicação:

  • EXODUS H-600: modelo compacto de bancada, ideal para pesquisa e múltiplas amostras em laboratório. Processa de 10 µL a 250 mL, até 200 mL/h.
  • EXODUS T-2800: sistema de grande escala para manufatura GMP, indicado para volumes maiores e produção em larga escala.

Para aplicações clínicas ou translacionais com plasma em larga escala, o H-600 oferece maior capacidade. Para caracterização de amostras específicas ou validação de protocolo, o T-2800 é alternativa prática e eficiente.

Aplicações do isolamento de EVs plasmáticas em pesquisa biomédica

O plasma é uma das matrizes mais utilizadas em pesquisa com EVs por ser acessível, minimamente invasivo e rico em vesículas de origem sistêmica. A qualidade do isolamento determina diretamente a validade das análises realizadas.

  • Biomarcadores em oncologia: exossomos plasmáticos carregam proteínas, miRNAs e DNA tumoral exploráveis como biomarcadores de diagnóstico e monitoramento terapêutico.
  • Biópsia líquida: viabiliza análises não invasivas com potencial para complementar biópsias teciduais em contextos clínicos.
  • Doenças inflamatórias e metabólicas: EVs plasmáticas têm sido investigadas em condições como sepse, diabetes e doenças cardiovasculares.
  • Terapias baseadas em EVs: o isolamento de alta pureza é pré-requisito para desenvolvimento de EVs como veículos terapêuticos.

A qualidade do isolamento não é uma etapa técnica secundária, ela define o que pode ou não ser concluído a partir dos dados gerados. Métodos com baixa pureza introduzem ruído molecular que compromete qualquer análise downstream.

Perguntas Frequentes sobre o EXODUS e o Isolamento de EVs em Plasma

O EXODUS pode processar plasma diretamente, sem pré-tratamento?

Sim, conforme documentado pela Exodus Bio. Os experimentos utilizaram plasma como matriz direta, sem etapas de pré-clarificação extensas.

Qual o volume mínimo de plasma necessário para isolamento com o H-600?

O H-600 processa volumes a partir de 10 µL, compatível com amostras clínicas de volume limitado.

Por que a pureza do EXODUS é superior à do PEG, se o rendimento é similar?

O PEG precipita indiscriminadamente proteínas e macromoléculas junto com as EVs. O EXODUS retém as partículas por tamanho via membrana nanoporosa, removendo seletivamente impurezas menores.

Os marcadores TSG101, CD81 e CD9 são suficientes para validar exossomos?

São os marcadores recomendados pelas diretrizes MISEV2018 da ISEV para caracterização mínima de exossomos, junto à ausência de marcadores negativos como calnexina.

O que é NTA e por que é usado na caracterização de EVs?

NTA (Nanoparticle Tracking Analysis) rastreia o movimento browniano de partículas para determinar distribuição de tamanho e concentração. É o método padrão para caracterização quantitativa de EVs.

O EXODUS T-2800 produz resultados equivalentes ao H-600?

Os dados de TEM, Western blot e NTA do T-2800 são consistentes com os padrões de qualidade do H-600. Ambos utilizam o mesmo mecanismo central de isolamento.

O EXODUS H-600 e o T-2800 estão disponíveis no Brasil?

Sim. Ambos os modelos são distribuídos no Brasil pela Dafratec, distribuidora especializada em equipamentos científicos de alta precisão.


Equipamento Relacionado


Outros Artigos