AVISO: Estamos com problemas em nossa linha de telefone fixa. Por favor, caso precise entrar em contato use nosso numero de WhatsApp +55 (11) 9.9799-7073

Sensor DFF mede a densificação do grânulo em tempo real: o que o tamanho de partícula não explica

D
Por: Dafratec | Em 06/07/2026 | Artigo
Compartilhar:

O que o estudo se propôs a investigar

Investigar se o sensor DFF, usado em conjunto com o FBRM, tem resolução e sensibilidade para medir a densificação do grânulo durante a granulação por alto cisalhamento (HSWG), além de avaliar seu uso no design de formulação e processo, no scale-up e no controle do endpoint da granulação.

O que o DFF conseguiu medir

O DFF mediu em tempo real a consistência da massa úmida, atributo que se correlacionou com a densificação do grânulo e, por consequência, com a dissolução do comprimido. O sensor diferenciou lotes por composição (% HPC) e por processo (% água) mesmo quando o tamanho de partícula não mudou, e mostrou-se independente de escala (validado de 10 L a 60 L), fornecendo uma informação distinta e complementar à do FBRM.

O problema

A granulação por alto cisalhamento (HSWG) é traiçoeira: rápida (cerca de 3 min), irreversível e só revela a qualidade dos grânulos lá na frente, no processamento a jusante. O controle tradicional se apoia em medidas indiretas (potência do impelidor, torque) ou no tamanho de partícula. Nenhuma delas mede densificação em tempo real. Faltava uma ferramenta PAT que respondesse ao atributo que de fato governa a dissolução, e não a um substituto.

Metodologia

Duas formulações, cada uma com um papel:

  • Placebo, variando o ligante HPC (1%, 3%, 5%), para mostrar que o DFF detecta mudança de consistência sem mudança de tamanho.
  • Brivanib alaninato (fármaco modelo), variando a água (48/58/67%) e a escala (10 L para 60 L), para ligar densificação à dissolução e testar a independência de escala.

O DFF trabalhou in-line, comparado com o FBRM (tamanho) e validado por métodos de referência: peneiração (PSD) e porosimetria por intrusão de mercúrio, MIP (porosidade). Comprimidos de 400 mg foram avaliados por dissolução.

A prova, contada pelas figuras

Como o sensor funciona


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.28.01
Figura 1. Esquema e princípio de operação do sensor DFF: haste com Fiber Bragg Gratings que mede a força de impacto da massa úmida em movimento.

Uma haste cilíndrica oca e fina (cerca de 1 mm), de aço inox, com dois sensores ópticos de deformação (Fiber Bragg Gratings) nas paredes internas. Quando a massa úmida colide contra a haste, ela deflete, e cada colisão vira um pico de força. A alta taxa de aquisição (500 Hz) separa os impactos de grânulos grandes e densos do fundo contínuo do leito de pó. É esse impacto acumulado que traduz a consistência da massa.

O FBRM não vê diferença, mas o DFF vê


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.30.28
**Figura 2. Evolução da distribuição de tamanho (chord length distribution) medida por FBRM** para os placebos com 1%, 3% e 5% de HPC, mostrando ausência de diferenciação clara entre as formulações.

No placebo, o FBRM mostra que o tamanho de partícula praticamente não muda entre os lotes de 1%, 3% e 5% de HPC. A peneiração confirmou. Isso foi proposital: uma formulação robusta, escolhida para o tamanho não variar e não confundir a leitura. Se o tamanho não muda, qualquer diferença que o DFF captar é outra coisa.

Captura de Tela 2026-07-06 às 19.30.56
Figura 3. Sinal bruto do sensor DFF (força vs. tempo) para os placebos com 1%, 3% e 5% de HPC, com detalhe ampliado do lote de 5% mostrando os picos individuais e o ajuste harmônico (senoidal). Coleta a 500 Hz.


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.31.29
Figura 4. Consistência da massa úmida apresentada como magnitude de pico média (a) e amplitude do ajuste senoidal (b), calculadas a cada 100 rotações da lâmina, para os placebos com 1%, 3% e 5% de HPC. Maior concentração de HPC gera sinal mais alto nos mesmos pontos de tempo.


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.32.08
Figura 5. Evolução temporal da consistência da massa úmida como distribuição da magnitude dos picos do sinal DFF (zero-corrigido) ao longo do tempo, para os placebos com 1%, 3% e 5% de HPC, mostrando diferenciação entre as formulações.

E o DFF capta. Onde o FBRM não diferencia nada, o sensor separa claramente os lotes, sobretudo entre 3% e 5% de HPC. Mais ligante, massa mais "pesada", sinal maior. O sensor está medindo consistência da massa úmida, não tamanho.

Por que isso importa: densificação decide a dissolução

Captura de Tela 2026-07-06 às 19.32.34
Figura 6. Perfis de porosidade (a) e de dissolução (b) dos comprimidos de brivanib alaninato fabricados dentro e fora do design space do processo. As linhas pretas em (a) delimitam a faixa de porosidade do design space; os lotes fora dela (alto tempo de wet massing e alta água) mostram menor porosidade e menor dissolução, evidenciando a correlação entre porosidade e liberação do fármaco.

Nos lotes de brivanib alaninato, a porosidade se correlaciona com a dissolução: quanto maior a porosidade, maior a liberação do fármaco. O lote com alto tempo de wet massing teve a menor porosidade e a menor dissolução. Aqui fica provado que densificação não é detalhe acadêmico, é o atributo crítico que impacta o produto final.

A densificação muda com a escala

Captura de Tela 2026-07-06 às 19.32.57
Figura 7. Distribuição de porosidade dos grânulos de brivanib alaninato por MIP, em função do tempo de wet massing, nas escalas de 10 L (a) e 65 L (b), e ajuste do volume total de poros ao modelo de decaimento exponencial (c). Mostra taxas de densificação diferentes entre as escalas.

Comparando 10 L e 65 L, a taxa de densificação é diferente: constante de consolidação de 0,41 min⁻¹ a 10 L contra 0,26 min⁻¹ a 65 L, mais lenta na escala maior. A porosidade mínima alcançável, porém, é a mesma. Este é o cerne do desafio de scale-up: a mesma receita densifica em ritmos diferentes conforme o tamanho do equipamento.

O "tempo até o pico" e a independência de escala


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.33.31
Figura 8. Sinal bruto do DFF (força vs. tempo) para brivanib alaninato: lotes a 10 L com 67%, 58% e 48% de água e a 60 L com 58% de água. Dados do sensor lateral sobrepostos aos do sensor de topo; linha vermelha marca o fim típico da granulação (30 s de wet massing).


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.33.54
Figura 9. Comparação do sinal DFF entre 10 L e 60 L (58% de água), com sensor de topo (a) e lateral (b). Plots em domínio de tempo (a1/b1) e em número de passagens da lâmina sob o sensor (a2/b2), evidenciando a independência de escala após a normalização.
Captura de Tela 2026-07-06 às 19.34.18
Figura 10a. Consistência da massa úmida do brivanib alaninato pelo sensor de topo: magnitude de pico média (a1) e amplitude do ajuste senoidal (a2) a cada 100 rotações da lâmina, para os lotes a 10 L (67/58/48% água) e 60 L (58% água).


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.34.55
Figura 10b. Consistência da massa úmida do brivanib alaninato pelo sensor lateral: magnitude de pico média (b1) e amplitude do ajuste senoidal (b2) a cada 100 rotações da lâmina, para os mesmos lotes, com melhor correlação de forma entre escalas que o sensor de topo.


Captura de Tela 2026-07-06 às 19.35.20
Figura 11. Tempo de atraso até o pico do sinal DFF como medida independente de escala, usando frequência da lâmina (a) ou volume do granulador (b) para prever o parâmetro entre as escalas de 10 L e 60 L.

O sinal do DFF sobe durante a adição de água, atinge um pico logo após o fim da adição e depois cai. Esse tempo até o pico revela a taxa de densificação. O detalhe elegante: quando o eixo do tempo é trocado por número de passagens da pá sob o sensor, as diferenças entre 10 L e 60 L desaparecem. O atributo medido é independente de escala, e o que muda entre equipamentos é só quantas voltas a pá dá por minuto.

O comportamento do pico ainda conta o estado do processo, conforme a água:

  • 48% (baixa): predominam nucleação e agregação; pouca densificação.
  • 58% (ótima): mecanismos em equilíbrio; densificação sustentada; pico mais tardio.
  • 67% (alta): predominam atrito e quebra; densificação já não avança.

Fechamento

O DFF é uma PAT in-line que mede a consistência da massa úmida, atributo que se correlaciona com a densificação do grânulo e escapa ao FBRM. Com isso, permite diferenciar lotes por composição e por processo, identificar um ponto de referência (o pico) para definir o endpoint da granulação e apoiar o scale-up com uma métrica independente de escala. Não substitui o FBRM, complementa. Um mede tamanho, o outro mede a consistência que decide como o comprimido vai se comportar.



Outros Artigos