Capa do Artigo Retrospectiva Indústria Farmacêutica: O Que Marcou 2025 e o Que Esperar de 2026

Retrospectiva Indústria Farmacêutica: O Que Marcou 2025 e o Que Esperar de 2026

Retrospectiva 2025 da indústria farmacêutica no Brasil: GLP-1 nacionais, fusões EMS-Hypera, reforma tributária e o que esperar de 2026. Resumo essencial para profissionais do setor.

Por: Dafratec | Em 12/01/2026 | Artigo
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Canetas emagrecedoras nacionais e reforma tributária: 2025 firmou a liderança brasileira no mercado interno.

O Cenário do Mercado Farmacêutico Brasileiro em 2025

O ano de 2025 consolidou transformações importantes no setor farmacêutico brasileiro. De um lado, a chegada dos GLP-1 nacionais e a queda de preços dos medicamentos para obesidade . De outro, movimentações de fusões que podem redesenhar o mercado. Este resumo traz os pontos essenciais para profissionais que precisam se posicionar estrategicamente para 2026.

O mercado farmacêutico brasileiro fechou 2024 com faturamento de R$ 160,7 bilhões e manteve trajetória de crescimento em 2025, com 5,7 bilhões de unidades comercializadas no primeiro semestre .

O Cenário do Mercado Farmacêutico Brasileiro em 2025

A indústria nacional se fortaleceu ao longo do ano. Dados da ALANAC mostram que 8 em cada 10 medicamentos vendidos nas farmácias brasileiras já são de laboratórios nacionais . São mais de 17 mil registros ativos na Anvisa, resultado de 25 anos de amadurecimento desde a Lei dos Genéricos.

A projeção é ousada: até 2030, 9 em cada 10 medicamentos comercializados no país devem ser de produção nacional . Esse avanço será impulsionado pelo vencimento de aproximadamente 1.500 patentes previsto para os próximos anos .

GLP-1: A Grande História de 2025

O mercado de análogos de GLP-1 dominou as manchetes e movimentou mais de R$ 3 bilhões entre setembro de 2023 e setembro de 2024. Em 2025, três acontecimentos marcaram o segmento:

O mercado de análogos de GLP-1 dominou as manchetes e movimentou mais de R$ 3 bilhões entre setembro de 2023 e setembro de 2024

Entrada da Indústria Nacional

A EMS tornou-se a primeira farmacêutica 100% brasileira a lançar medicamentos GLP-1, com o Olire (para obesidade) e o Lirux (para diabetes tipo 2), disponíveis a partir de agosto de 2025 com preços a partir de R$ 307 . A Eurofarma fechou parceria com a Novo Nordisk para distribuir o Poviztra e o Extensior no Brasil .

Redução de Preços

A Novo Nordisk reduziu em até 20% os preços de Ozempic e Wegovy em junho . O Ozempic 1mg passou de R$ 1.110 para R$ 999, enquanto o Wegovy ficou entre R$ 825 e R$ 1.799 conforme a dosagem .

Regulação Mais Rígida

A Anvisa implementou duas medidas importantes: a exigência de receita em duas vias para GLP-1 (abril) e a proibição da manipulação de semaglutida biológica (agosto) . As ações visam combater o uso indiscriminado e a falsificação .

A Conitec abriu consulta pública em junho para avaliar a incorporação do Wegovy no SUS para pacientes acima de 45 anos com risco cardiovascular.

Fusões e Aquisições: Consolidação em Andamento

O movimento de consolidação ganhou força. A EMS propôs fusão com a Hypera em outubro de 2024, oferecendo R$ 3,8 bilhões com prêmio de 40% sobre as ações . A proposta foi rejeitada, mas a EMS continuou aumentando sua participação acionária na concorrente.

A EMS propôs fusão com a Hypera em outubro de 2024, oferecendo R$ 3,8 bilhões com prêmio de 40% sobre as ações

Outro negócio em andamento é a venda da Medley pela Sanofi. Oito empresas apresentaram propostas entre US$ 420 e US$ 450 milhões, incluindo EMS, Eurofarma, Hypera, Aché, Cimed e União Química. A conclusão deve ocorrer no início de 2026 .

Reforma Tributária e Seus Efeitos

A Lei Complementar 214/2025 trouxe regime diferenciado para medicamentos . Os principais pontos:

  • Redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para todos os medicamentos registrados na Anvisa
  • Alíquota zero para medicamentos de oncologia, diabetes, doenças raras, HIV/AIDS, doenças cardiovasculares e Farmácia Popular
  • Atualização da lista de produtos com alíquota zero a cada 120 dias

A simplificação deve reduzir custos de conformidade e facilitar o acesso a medicamentos essenciais.

Redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para todos os medicamentos registrados na Anvisa

Cenário Global e Impactos no Brasil

No exterior, a política de tarifas e acordos de preços nos EUA gerou incertezas. Grandes farmacêuticas anunciaram investimentos bilionários em manufatura americana , com potenciais reflexos nas operações brasileiras. A administração Trump fechou acordos de preços Most-Favored-Nation com 14 grandes laboratórios, incluindo Novo Nordisk e Eli Lilly .

Em paralelo, as aprovações do FDA caíram para 46 novas drogas em 2025 . O destaque foi o Journavx (suzetrigine), da Vertex, primeiro analgésico não-opioide aprovado em mais de 20 anos . O FDA também aprovou a primeira pílula de GLP-1 para obesidade (Wegovy oral) em dezembro .

O Que Esperar de 2026

Genéricos de Semaglutida

A patente da semaglutida expira no Brasil em março de 2026 . A Hypera já anunciou planos de lançar sua versão genérica assim que possível. Biomm, EMS e Eurofarma também se posicionam para entrar nesse mercado .

Decisões Regulatórias

A Conitec deve finalizar a avaliação sobre a incorporação do Wegovy no SUS . Uma decisão favorável pode abrir caminho para políticas públicas de combate à obesidade com medicamentos de nova geração.

Consolidação do Setor

A conclusão da venda da Medley e possíveis novas tratativas entre EMS e Hypera devem definir o novo mapa competitivo do setor. A tendência é de maior concentração entre os grandes players nacionais.

Biológicos e Inovação

Laboratórios como Libbs, Bionovis e Blau continuam investindo em biossimilares e medicamentos de alta complexidade. A expectativa é de novos lançamentos e ampliação do acesso a terapias antes restritas a produtos importados.

O Brasil permanece entre os 10 maiores mercados farmacêuticos do mundo, com projeção de crescimento de 30% até 2027 .

Considerações para o Profissional da Área

Para quem atua no setor, 2025 foi um ano de transição. A entrada de GLP-1 nacionais democratizou o acesso a uma classe terapêutica antes dominada por importados. A regulação se adaptou para equilibrar inovação e segurança. E o ambiente competitivo se prepara para uma possível reconfiguração com fusões e aquisições.

Considerações para o Profissional da Área

Em 2026, os olhos estarão voltados para a expiração de patentes estratégicas, as decisões de incorporação no SUS e a conclusão dos grandes negócios em andamento. O profissional bem informado terá vantagem para antecipar movimentos e tomar decisões mais assertivas.

Perguntas Frequentes

Quando expira a patente do Ozempic no Brasil?

A patente da semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) expira em março de 2026 no Brasil. A partir dessa data, laboratórios nacionais poderão lançar versões genéricas.

Quais laboratórios brasileiros produzem GLP-1?

A EMS foi a primeira a lançar GLP-1 nacional em 2025, com os produtos Olire e Lirux. A Eurofarma fechou parceria com a Novo Nordisk para distribuir Poviztra e Extensior. Hypera e Biomm preparam lançamentos para 2026.

O Wegovy vai entrar no SUS?

A Conitec abriu consulta pública em junho de 2025 para avaliar a incorporação do Wegovy no SUS, voltado para pacientes acima de 45 anos com risco cardiovascular. A decisão final ainda não foi divulgada.

Quanto custa o Ozempic em 2025?

Após a redução de preços em junho de 2025, o Ozempic 1mg custa a partir de R$ 999 no e-commerce e R$ 1.099 em farmácias físicas, para pacientes cadastrados no programa de suporte da Novo Nordisk.

Quem são os maiores laboratórios farmacêuticos do Brasil?

A EMS lidera o mercado brasileiro, seguida por Hypera, Eurofarma, Aché e Libbs. Juntas, as empresas nacionais respondem por cerca de 80% das vendas em farmácias.

O que muda com a reforma tributária para medicamentos?

A Lei Complementar 214/2025 estabelece redução de 60% nas alíquotas para medicamentos registrados na Anvisa e alíquota zero para categorias como oncologia, diabetes, doenças raras e HIV/AIDS.

A fusão EMS e Hypera vai acontecer?

A proposta de fusão foi rejeitada pela Hypera em 2024, mas a EMS continua aumentando sua participação acionária. O cenário permanece em aberto para novas negociações.

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