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Capa do Artigo Otimização de água na granulação úmida: estudo com reômetro inline Lenterra

Otimização de água na granulação úmida: estudo com reômetro inline Lenterra

Reômetro inline LIR identifica estágios da granulação e correlaciona MFPM e CVFPM com dissolução, garantindo controle preciso do processo.

Por: Dafratec | Em 05/05/2026 | Artigo
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Estudo publicado na revista Powders (abril de 2026)

Este estudo, publicado na revista Powders em abril de 2026, investigou o uso de um reômetro inline (Lenterra in-line rheometer - LIR) para otimizar o teor de água na granulação úmida de alta cisalhamento (HSWG). Os pesquisadores utilizaram uma sonda cilíndrica fina imersa na massa úmida para medir, em tempo real, dois parâmetros:

  • MFPM (densificação dos grânulos) e 
  • CVFPM (uniformidade do tamanho dos grânulos).
Reômetro inline LIR para farmacêutica e alimentos. Mede força de fluxo, cisalhamento e viscosidade em tempo real. PT-BR.

Foram testadas duas formulações de paracetamol com três quantidades de água (3, 12 e 16 mL). Os resultados mostraram que as curvas do LIR diferenciaram claramente as condições de subgranulação, granulação ideal e sobregranulação, com correlação direta entre as medições e a dissolução dos comprimidos.

O estudo também identifica limitações de outras tecnologias PAT, como métodos ópticos (exigem janela de contato e limpeza frequente) e monitoramento por torque (insuficiente para determinar o endpoint). O LIR contorna essas limitações ao medir forças locais diretamente na massa úmida, sem janela óptica.

Neste artigo, você irá encontrar:

  • Monitoramento em tempo real com sensor de força de arrasto

  • Parâmetros MFPM (densificação) e CVFPM (uniformidade)

  • Etapas da granulação: nucleação, consolidação e crescimento

  • Correlação com distribuição de partículas e dissolução

  • Vantagens sobre NIR, FBRM e torque do impeller


Como o LIR monitora a granulação em tempo real

O LIR utiliza uma sonda cilíndrica fina de 2,8 mm de diâmetro e 40 mm de comprimento, inserida verticalmente dentro do granulador. A sonda fica imersa na massa úmida durante todo o processo, posicionada a 2 mm acima da pá do impeller.

O esquema experimental é apresentado na Figura 1, que mostra a sonda conectada ao interrogador óptico, inserida verticalmente na tampa do granulador, enquanto a água destilada é entregue por uma bomba peristáltica através de uma agulha de aço inoxidável.

Diagrama mostrando sonda cilíndrica inserida no granulator conectada ao interrogador óptico, bomba peristáltica e agulha para adição de água
Figura 1. Esquema do experimento. A sonda é inserida verticalmente na tampa do granulador, enquanto a água destilada é entregue por uma bomba peristáltica através de uma agulha de aço inoxidável. O sinal da sonda segue para o interrogador óptico e depois para o computador.

O sensor mede os pulsos de força gerados cada vez que as pás passam sob a ponta da sonda. Para cada pulso, registra-se sua magnitude (force pulse magnitude – FPM). O sistema então calcula dois parâmetros estatísticos:

  • MFPM (mean force pulse magnitude): média dos pulsos, indica a densificação da massa úmida

  • CVFPM (coefficient of variation of force pulse magnitude): coeficiente de variação, indica a uniformidade do tamanho dos grânulos

Ambos os parâmetros são atualizados continuamente e plotados em tempo real. A evolução dessas duas curvas forma a "impressão digital" do processo.

Estágios da granulação identificados

Com base nas curvas de MFPM e CVFPM, os pesquisadores identificaram os seguintes estágios da granulação.

Mistura seca

Nos primeiros 3 minutos, antes da adição de água, tanto o MFPM quanto o CVFPM permanecem estáveis em níveis baixos. Isso reflete a baixa densidade e a uniformidade do pó seco.

Nucleação (adição de água)

Entre 3 e 3,5 minutos, a água começa a ser adicionada. O CVFPM aumenta rapidamente, indicando o início da formação de aglomerados. A distribuição de massas no pó torna-se mais larga, pois ainda há pó seco misturado com os primeiros núcleos de grânulos.

Consolidação e crescimento

A partir de 3,5 minutos, o MFPM cresce de forma acelerada, refletindo o aumento do número e da densidade dos grânulos. O CVFPM começa a cair, indicando que a massa úmida está se tornando mais uniforme à medida que o pó seco remanescente diminui.

Ponto característico (mínimo do CVFPM e cotovelo do MFPM)

Aos 5,3 minutos, ocorrem dois eventos simultâneos. O CVFPM atinge um mínimo. O MFPM apresenta um ponto de cotovelo (elbow point). Esse instante marca o fim da etapa de nucleação e o início da consolidação plena.

Gráfico mostrando as evoluções de MFPM e CVFPM ao longo do tempo, com barras azuis indicando as etapas de mistura seca, adição de água e massagem úmida, e setas verdes e pretas apontando os estágios do processo
Figura 2. Impressão digital da granulação (evoluções de MFPM e CVFPM) para a batelada F1-W16-T5. As barras azuis na parte inferior indicam a duração de cada etapa (mistura seca, adição de água e massagem úmida). As setas verdes mostram os intervalos correspondentes aos processos de molhamento/nucleação e consolidação/crescimento. As setas pretas descrevem as características salientes da impressão digital.

Consolidação avançada

Entre 5,3 e 8 minutos, o MFPM continua crescendo. O CVFPM volta a subir gradualmente, indicando que a formação de grânulos mais pesados está ampliando novamente a distribuição de tamanhos.

Os autores observam que o término da adição de água aos 6,2 minutos não afeta o crescimento do MFPM e do CVFPM que continua de 5,3 a 8 minutos. Isso significa que adicionar água extra após 5,3 minutos não altera significativamente a massa úmida.

Formação de grânulos grandes

Após 8 minutos, para a formulação com 16 mL de água, tanto o MFPM quanto o CVFPM crescem de forma acentuada e instável. Isso corresponde à formação de grânulos grandes, entre 5 e 10 mm.

Resultados para a formulação com 75% de paracetamol

Seis conjuntos de imagem mostrando fotografias de grânulos com barra de escala de 1 cm e seus respectivos histogramas de distribuição de tamanho de partículas para as bateladas F1-W3-T1, F1-W3-T5, F1-W12-T1, F1-W12-T5, F1-W16-T1 e F1-W16-T5
Figura 3. Formulação 1 (75% de paracetamol). Fotografias e distribuições de tamanho de partículas dos grânulos ao final da granulação para as bateladas F1-W3-T1 (A), F1-W3-T5 (B), F1-W12-T1 (C), F1-W12-T5 (D), F1-W16-T1 (E) e F1-W16-T5 (F). Cada fotografia inclui o código da batelada e uma barra de escala de 1 cm.

As bateladas são:

  • F1-W3-T1 (A) e F1-W3-T5 (B): 3 mL de água, massagem de 1 e 5 minutos

  • F1-W12-T1 (C) e F1-W12-T5 (D): 12 mL de água, massagem de 1 e 5 minutos

  • F1-W16-T1 (E) e F1-W16-T5 (F): 16 mL de água, massagem de 1 e 5 minutos

3 mL de água

Para as bateladas com 3 mL (A e B), tanto as curvas de MFPM e CVFPM quanto as fotografias e as PSDs não mostraram diferenças antes e depois da adição de água. A quantidade foi insuficiente para iniciar a granulação.

12 mL de água

Para 12 mL (C e D), as curvas apresentaram o ponto de mínimo do CVFPM e o cotovelo do MFPM aos 5,3 minutos. Após 8 minutos, não houve o crescimento acentuado observado no excesso de água.

A PSD para 1 minuto de massagem (C) já mostra uma fração notável de grânulos maiores, indicando que a consolidação já ocorreu. Para 5 minutos de massagem (D), a fração de grânulos grandes diminuiu, criando uma distribuição próxima da log-normal.

16 mL de água

Com 16 mL (E e F), as curvas iniciais se sobrepuseram às de 12 mL até os 8 minutos. Após esse ponto, tanto o MFPM quanto o CVFPM subiram rapidamente.

Para 1 minuto de massagem (E), a PSD é semelhante à de 12 mL com 1 minuto. Para 5 minutos de massagem (F), os grânulos se consolidaram em grandes aglomerados (coluna vermelha escura para >1700 micrômetros), com ausência de grânulos pequenos.

Os autores observaram que continuar a massagem após o início do crescimento acelerado não é recomendado. O ponto ideal para encerrar a granulação (endpoint) ocorre antes desse estágio.

Gráficos separados mostrando as curvas de MFPM (parte A) e CVFPM (parte B) ao longo do tempo, com barras coloridas na parte inferior indicando os intervalos de adição de água (azul para 3 mL, verde para 12 mL, vermelho para 16 mL)
Figura 4. Evoluções de MFPM (A) e CVFPM (B) para a Formulação 1 (75% de paracetamol). As barras coloridas na parte inferior indicam os intervalos de adição de água: azul para as bateladas F1-W3-T1 e F1-W3-T5, verde para F1-W12-T1 e F1-W12-T5, vermelho para F1-W16-T1 e F1-W16-T5.
Resultados para a formulação com 90% de paracetamol
Gráficos mostrando as curvas de MFPM (parte A) e CVFPM (parte B) para as bateladas F2-W3-T1, F2-W12-T1 e F2-W16-T1, com barras coloridas na parte inferior indicando os intervalos de adição de água (azul, verde e vermelho)
Figura 5. Evoluções de MFPM (A) e CVFPM (B) para a Formulação 2 (90% de paracetamol). As barras coloridas na parte inferior indicam os intervalos de adição de água: azul para F2-W3-T1, verde para F2-W12-T1, vermelho para F2-W16-T1. O tempo de massagem úmida foi de 1 minuto para todas as bateladas.
A Figura 6 mostra as fotografias e as PSDs dessas três bateladas.
Três conjuntos de imagem mostrando fotografias de grânulos com barra de escala de 1 cm e seus respectivos histogramas de distribuição de tamanho de partículas para as bateladas F2-W3-T1, F2-W12-T1 e F2-W16-T1
Figura 6. Formulação 2 (90% de paracetamol). Fotografias e distribuições de tamanho de partículas dos grânulos ao final da granulação para as bateladas F2-W3-T1 (A), F2-W12-T1 (B) e F2-W16-T1 (C). Cada fotografia inclui o código da batelada e uma barra de escala de 1 cm.
3 mL de água

Para 3 mL (Figura 5, barra azul; Figura 6A), as curvas de MFPM e CVFPM permanecem estáveis. A quantidade foi insuficiente para iniciar a granulação, assim como na formulação com 75%.

12 mL de água

Para 12 mL (Figura 5, barras verdes; Figura 6B), os pontos característicos do LIR ocorreram mais cedo do que na formulação com 75%: o mínimo do CVFPM e o ponto de máximo do MFPM apareceram aos 4,6 a 4,7 minutos (contra 5,3 minutos na formulação com 75%).

O MFPM não apresentou crescimento acentuado após 5,5 minutos, e a PSD foi considerada adequada. No entanto, o CVFPM subiu acentuadamente após 5 minutos, indicando início da formação de grânulos maiores.

16 mL de água

Para 16 mL (Figura 5, barras vermelhas; Figura 6C), o estágio de crescimento rápido começou aos 5,4 minutos (contra 8 minutos na formulação com 75%). A PSD mostra grânulos muito grandes, com densa formação de aglomerados.

Os autores recomendam que, para formulações com alto teor de paracetamol (90%), a massagem úmida não ultrapasse 1 minuto, e a quantidade ideal de água é menor do que 12 mL.

Correlação com dissolução dos comprimidos

Gráfico mostrando curvas de porcentagem de fármaco liberado ao longo do tempo (0 a 60 minutos) para as bateladas F1-W12-T1, F1-W12-T5 (75% de paracetamol) e F2-W12-T1 (90% de paracetamol), com linhas sólidas e tracejadas
Figura 7. Perfis de dissolução dos comprimidos fabricados com as bateladas F1-W12-T1 e F1-W12-T5 (75% de paracetamol, linhas sólidas) e F2-W12-T1 (90% de paracetamol, linha tracejada). Os valores de T85% foram 2,6 minutos, 2,2 minutos e 5,4 minutos, respectivamente.

Os principais resultados foram:

  • F1-W12-T1 (75%, 1 min de massagem): T85% = 2,6 minutos

  • F1-W12-T5 (75%, 5 min de massagem): T85% = 2,2 minutos

  • F2-W12-T1 (90%, 1 min de massagem): T85% = 5,4 minutos

Houve correlação entre os pontos característicos das curvas do LIR e o tempo de dissolução. Para a formulação de 75%, os pontos ocorreram aos 5,3 minutos e o T85% foi de 2,2 a 2,6 minutos. Para a formulação de 90%, os pontos ocorreram mais cedo (4,6 minutos) e o T85% foi maior (5,4 minutos).

Os autores sugerem que essa relação pode ser usada para prever o tempo de dissolução a partir das medições do LIR.

Conclusão do estudo

O LIR demonstrou ser capaz de identificar os estágios da granulação úmida de alta cisalhamento em tempo real. As curvas de MFPM e CVFPM permitiram diferenciar as condições de pouca água, água ideal e excesso de água.

Com base nas impressões digitais do processo, foi possível identificar a quantidade ideal de água (12 mL) e o momento adequado para encerrar a granulação (endpoint).

Os pesquisadores concluíram que o LIR pode ser uma ferramenta útil para:

  • Desenvolvimento de formulações

  • Scale-up

  • Monitoramento e controle em tempo real da granulação úmida de alta cisalhamento

Estudo original: Clique aqui para ir a pagina do estudo

FAQ sobre o estudo com LIR na granulação úmida

O que foi investigado neste estudo?

O estudo investigou o uso do reômetro inline LIR para otimizar o teor de água e identificar o endpoint na granulação úmida de alta cisalhamento.

Quais parâmetros o LIR mede?

O LIR mede os pulsos de força gerados na massa úmida e calcula MFPM, relacionado à densificação, e CVFPM, relacionado à uniformidade dos grânulos.

Como o LIR monitora a granulação em tempo real?

O sistema usa uma sonda cilíndrica fina inserida na massa úmida. Ela registra os pulsos de força gerados pela passagem das pás do impeller.

Quais estágios da granulação foram identificados?

O estudo identificou mistura seca, nucleação, consolidação, crescimento, consolidação avançada e formação de grânulos grandes.

Qual foi a quantidade ideal de água observada?

A quantidade de 12 mL de água apresentou melhor comportamento no estudo, permitindo granulação adequada sem formação excessiva de aglomerados grandes.

O que aconteceu com 3 mL de água?

Com 3 mL de água, a quantidade foi insuficiente para iniciar a granulação de forma significativa.

O que aconteceu com 16 mL de água?

Com 16 mL de água, houve crescimento acentuado e instável dos grânulos, indicando formação de grandes aglomerados.

O estudo mostrou relação com a dissolução dos comprimidos?

Sim. Os pontos característicos das curvas do LIR apresentaram correlação com os tempos de dissolução dos comprimidos produzidos.

Quais limitações de outras tecnologias PAT foram citadas?

O estudo cita que métodos ópticos exigem janela de contato e limpeza frequente, enquanto o torque do impeller é insuficiente para determinar o endpoint.

Qual é a principal vantagem do LIR?

A principal vantagem é medir forças locais diretamente na massa úmida, sem depender de janela óptica.

Para quais aplicações o LIR pode ser útil?

Segundo o estudo, o LIR pode ser útil no desenvolvimento de formulações, no scale-up e no controle em tempo real da granulação úmida.


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